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Novo trailer dublado de "Príncipe da Pérsia"

05/11/2009 - 16:15 | 426 visitas

Após a mais do que bem sucedida parceria entre os estúdios Disney e Jerry Bruckheimer na produção de franquias cinematográficas como "Piratas do Caribe" (protagonizada por Johnny Depp) e "A Lenda do Tesouro Perdido" (com o oscarizado Nicolas Cage), eis que um novo filme, com estreia programada para 4 de junho de 2010, surge com cara de sucesso praticamente garantido: trata-se de "Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo", adaptação de um dos melhores games de todos os tempos (e, confesso, passei muitas horas de minha vida em frente a computadores, ainda na época dos monitores monocromáticos de fósforo verde, entretido com esse jogo).

O trailer dublado do filme, que terá Jake "Brokeback Mountain" Gyllenhaal no papel principal, e que conta ainda com atores do porte de Gemma Arterton, Ben Kingsley e Alfred Molina no elenco, foi divulgado hoje. Ei-lo:

A direção de "Príncipe da Pérsia - As Areias do Tempo" ficou a cargo do inglês Mike Newell, conhecido pela sua versatilidade. Afinal de contas, foi o cineasta responsável por filmes tão diferentes como "Quatro Casamentos e um Funeral" (1994), "Harry Potter e o Cálice de Fogo" (2005) e, mais recente, "O Amor nos Tempos de Cólera" (2007). A julgar pelo trailer, teremos ação, romance, aventura e piadas infames em doses generosas, repetindo a mesma fórmula de sucesso da trilogia dos Piratas do Caribe. Aguardemos para ver qual será o resultado final nos cinemas em 2010...

por Alexandre Inagaki // 05/11/2009 - 16:15
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A Verdade Nua e Crua: comédias românticas são como viagens

21/09/2009 - 00:23 | 779 visitas

Você já conhece a fórmula de uma boa comédia romântica: um homem e uma mulher que não simpatizam um com o outro à primeira vista, passam por diversos desencontros e desentendimentos, envolvem-se com outras pessoas mas, ao final da jornada, descobrem que formam o casal perfeito, beijando-se apaixonadamente ao final do filme para a satisfação de todos os espectadores. E o fato é que, embora essa equação aparente ter chegado à saturação, plateias do mundo inteiro ainda se entretêm com produções como Harry & Sally, Uma Linda Mulher, Um Lugar Chamado Notting Hill, Juno, Sideways e Simplesmente Amor. Porque, por mais que críticos sisudos torçam seus narizes para gêneros falsamente desgastados ou produções como A Verdade Nua e Crua, o caso é histórias bem narradas sempre encontrarão seu público.

Você já conhece as regras do gênero. Em A Verdade Nua e Crua, o casal que se digladia durante dois terços do filme é protagonizado por Katherine Heigl (de Grey's Anatomy e Ligeiramente Grávidos) e Gerard Butler (o Rei Leônidas de 300). Heigl interpreta Abby Richter, a produtora de um telejornal matutino, profissionalmente competente, mas que na vida amorosa vive uma entressafra braba, devido ao seu jeito controlador e desajeitado. Em um encontro marcado via internet, por exemplo, assusta seu pretendente elencando todas as informações a respeito dele que encontrou através do Google. Em contrapartida, Butler interpreta Mike Chadway, um apresentador de TV misógino e falastrão, que diz, sem KY na língua, que o que atrai homens de verdade é sexo, sexo e sexo (não que isso seja de todo mentira, mas enfim). O fato é que o telefone de Mike, para o descalabro das feministas, não cessa de tocar, levando a personagem de Heigl a pedir uma ajudinha para conquistar aquele que parece ser a metade de sua laranja (ou a chinela havaiana de seu pé cansado): um médico bonitão e bem-educado, recém-instalado em sua vizinhança.


Graças à influência benéfica (ou nefasta, dependendo do ponto de vista), Abby Richter passa a seguir um script meticulosamente preparado por Mike, fazendo com que o médico caia direitinho em sua lábia. Mas, ao mesmo tempo em que sua "cria" parece enfim conseguir na vida amorosa o mesmo êxito de suas atividades profissionais, o personagem de Gerard Butler parece se tocar de que está entregando de mão beijada a possível mulher de sua vida. E assim, em meio a cenas divertidas (dentre as quais destaco um singelo orgasmo em público), revelações do passado e os desentendimentos habituais em qualquer comédia romântica, o final do filme, convenhamos, não primará pela surpresa.

Como bem definiu Gustavo Gitti em sua resenha sobre A Verdade Nua e Crua, estamos aqui diante de uma "comédia romântica dos novos tempos". A personagem de Heigl não é tão meiga como as personagens habituais de outras produções do gênero, e o galã personificado por Butler é mais machista e desagradável do que os mocinhos que costumam arrebatar corações na tela. Porém, paradigmas clássicos ainda não podem ser descartados de um dia para o outro. O canalha arrogante acabará revelando sua faceta sensível; e a musa da vez, embora um pouco mais boca-suja do que suas predecessoras, permanecerá cativante e adorável como uma protagonista de um filme romântico deve ser. A fórmula clássica foi ligeiramente modificada, com resultados felizes, no bom A Verdade Nua e Crua; mas é certo que você sabe de cor e salteado como funcionam as regras deste jogo.

Mas enfim, é hora de contextualizar a analogia do título deste post. Lembro de uma citação do escritor Robert Louis Stevenson, que afirmou: "Eu viajo não para ir a lugar algum, mas para ir. Eu viajo pelo propósito de viajar. A grande sedução é se mover". Uma boa comédia romântica é como uma dessas viagens: o destino final já é conhecido, mas a grande motivação é o ato de viajar, de se deslocar geograficamente para outro lugar, de se movimentar. Do mesmo modo, o espectador que paga ingresso para assistir a um filme do gênero já sabe que, a não ser que a comédia seja dirigida por algum cineasta dinamarquês depressivo, o casal de protagonistas acabará junto na cena final, para a satisfação de uma plateia ciente de que o que importa mesmo é a trama ou a trajetória que levará o par de pombinhos até seu almejado happy end.

por Alexandre Inagaki // 21/09/2009 - 00:23
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O VMA mais divertido dos últimos anos

14/09/2009 - 05:22 | 1171 visitas

A volta ao Radio City Music Hall de Nova Iorque, local que sediou as primeiras cerimônias do Video Music Awards, fez bem à premiação. O VMA 2009 foi o mais divertido dos últimos tempos, graças a shows bacanas, cenas controversas e momentos emocionantes.

A noite começou com um discurso proferido por uma Madonna vestida de negro, em um visual atipicamente sóbrio, comparando sua trajetória de vida com a do grande homenageado da noite, Michael Jackson. Madonna recordou um encontro que teve com Michael, quando saiu para jantar com o cantor e tentou convencê-lo a beber vinho e a falar palavrões. Após a emocionada fala de Madonna, o palco foi tomado por bailarinos fazendo as coreografias dos videoclipes de "Thriller", "Bad" e "Smooth Criminal", até o grand finale em que Janet Jackson, irmã de Michael, apresentou-se ao som de "Scream".

Madonna na abertura do VMA 2009

Depois do início impactante, a celeuma da noite: o Astronauta de Prata de Melhor Vídeo Feminino foi para Taylor Swift, por "You Belong to Me", que venceu concorrentes como Katy Perry, Lady Gaga e Beyoncé. Taylor, cantora country de 19 anos e estrondoso sucesso na Gringoland, não conseguiu agradecer direito o prêmio. Pois, mal subiu ao palco, teve o microfone tirado de suas mãos por um abilolado Kanye West, que criticou a premiação dizendo que "Single Ladies", de Beyoncé, é quem deveria ter levado o prêmio por ser "um dos melhores clipes de todos os tempos". Supremo momento de vergonha alheia, que deixou Taylor emudecida e sem reação, e tornou Kanye West persona non grata e a mosca do cocô do cavalo do bandido da noite. Seu nome foi vaiado todas as vezes em que foi citado ao longo do VMA, e as reações negativas ao ato impulsivo do rapper (que depois pediu desculpas publicamente em seu blog) monopolizaram o Twitter. Katy Perry não mediu palavras e tuitou: "Vá se f..., Kanye. Foi como se você tivesse pisado em um gatinho". Pink foi ainda menos polida: "Kanye West é o maior pedaço de m... da Terra."

O tweet indignado de Katy Perry por causa da patacoada de Kanye West no VMA

O singelo figurino de Lady Gaga no VMA 2009Mas a noite não foi marcada só por polêmicas. Lady Gaga, premiada como Revelação do Ano, chamou a atenção por suas roupas tão discretas quanto hipopótamos dançando macarena. De quebra, estarreceu a plateia apresentando "Paparazzi" em uma performance digna de teatro universitário. Em meio a caretas e gestos canastrões, fez uma generosa abertura de pernas ao tocar piano (suficiente para provar que não é hermafrodita) e simulou estar sangrando no palco do VMA, numa metáfora paquidermicamente sutil do "mal" que fotógrafos sensacionalistas causam a celebridades doidivanas. Seus figurinos, diga-se de passagem, deixariam o vestido de cisne usado por Björk no Oscar de 2001 passar quase desapercebido.

A noite ainda contou com apresentações de Pink (em um momento a la Cirque du Soleil, fazendo piruetas no teto do Radio City Music Hall), Green Day, Muse e Beyoncé (exibindo pernas de, sei lá, 2 metros de comprimento, em um maiô que provou que sua depilação íntima está em dia), mas o grande show mesmo foi de Jay-Z, que ao lado de Alicia Keys cantou "Empire State of Mind", uma ode a Nova Iorque na qual o rapper humildemente se apresenta como "o novo Sinatra". Apresentação bacana, embora não tenha emplacado minha lista de performances prediletas do VMA de todos os tempos, até o presente momento encabeçada por Nirvana tocando "Rape Me" e "Lithium" em 1992, Pearl Jam cantando "Animal" e "Rockin' in the Free World" ao lado de Neil Young em 1993 e, claro, a apresentação antológica de Madonna em 1984 com vestido de noiva em "Like a Virgin".

O apresentador da noite, Russell Brand, não fede nem cheira para mim. Desferiu uma série de piadas supostamente engraçadinhas com Megan Fox e Lady Gaga, mas só me chamou a atenção na parte em que citou que o sistema de saúde público é gratuito na Inglaterra, em uma referência ao projeto de reforma da saúde que o governo de Barack Obama está tentando aprovar no Congresso americano. De resto, nem chega aos pés daquele que para mim foi o melhor host de todos os tempos do VMA, Jimmy Fallon na premiação de 2002.

Confira a relação completa dos vencedores do VMA 2009 clicando aqui. E fiquemos, agora, de olho no VMB 2009, cuja festa de premiação será realizada no dia 1º de outubro...

por Alexandre Inagaki // 14/09/2009 - 05:22
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Michael Jackson, a síndrome de Peter Pan e o museu de grandes novidades

26/06/2009 - 08:09 | 5248 visitas

Capa da edição especial de Thriller, álbum mais vendido de todos os temposNo século passado, eu andava por todos os lugares com meu companheiro inseparável: um walkman da Sony, no qual ouvia fitas K-7 gravadas com músicas que ouvia em rádios FM como Cidade, Manchete e Jovem Pan. Era o começo dos cada vez mais distantes anos 80, época em que minhas bandas prediletas eram Blitz e Turma do Balão Mágico. Minha memória ainda recorda com precisão qual foi a primeira fita cassete que ganhei de minha mãe, comprada nas Lojas Americanas: Thriller.

A primeira vez que ouvi Michael Jackson foi num programa de videoclipes. Não sei exatamente se foi no Realce, da TV Gazeta, no FM TV, da Manchete, ou no Super Special, da Bandeirantes. Só sei que aquela música, "Billie Jean", ficou colada em meus ouvidos; era simplesmente genial. Algum tempo depois, o Fantástico exibiu um vídeo mais expressionante ainda: a apresentação que Michael Jackson fez em um show de comemoração dos 25 anos da gravadora Motown, em 1983. Foi um momento histórico da cultura pop. Afinal de contas, foi nessa performance que MJ exibiu pela primeira vez um passo de dança que todas as crianças da minha geração já tentaram fazer: o moonwalking.

Sim, houve uma época em que Michael Jackson era negro e fazia boas músicas. Muito antes de virar alvo fácil de piadas envolvendo criancinhas, Michael foi um prodígio que começou a cantar profissionalmente com 5 anos, ao lado dos irmãos no grupo Jackson 5. Lançou seu primeiro disco solo, Got to Be There, em 1971. Mas desvencilhou-se dos irmãos de vez ao lançar Off the Wall em 1979, aos 21 anos de idade. Foi sua primeira parceria com o produtor e arranjador Quincy Jones; um sucesso de público, com 20 milhões de cópias vendidas mundo afora, e de crítica, que elogiou a fusão de ritmos como funk, disco music, pop e soul em faixas como "Rock with You" e "Don't Stop 'til You Get Enough".

Parecia que seria difícil superar o sucesso de Off the Wall. Mas Michael e Quincy se esmeraram na produção de seu sucessor, que foi gravado durante oito meses e chegou às lojas de disco dos EUA no dia 30 de novembro de 1982. O resultado final, Thriller, mudou o cenário da música pop em definitivo. Tornou-se o álbum mais vendido de todos os tempos, com mais de 109 milhões de cópias adquiridas por fãs no mundo inteiro. Abriu novas portas para a música negra, que ainda encontrava resistências em certas rádios e TVs. E deu uma sacudida na indústria do entretenimento, com a produção de videoclipes de levada cinematográfica como o de "Thriller", dirigido por John Landis. O clipe, praticamente um curta-metragem, fez história com a sua coreografia, gravada no DNA cultural de várias gerações em todo o mundo e replicada em prisões filipinas, festas de casamento e filmes indianos. Além disso, a música ganhou diversas regravações, dentre elas a sensacional versão feita pelo francês François Macré, que recriou todos os detalhes do arranjo de "Thriller" com sua voz à capela.

O auge de sua carreira havia sido atingido. Após o estrondoso sucesso das nove faixas de Thriller, Michael levou cinco anos para gravar um novo álbum de inéditas, Bad, em 1987. É lógico que não dá para chamar de fracasso um trabalho que rendeu cinco singles no número 1 da Billboard, dois prêmios Grammy e a venda de 30 milhões de cópias. Mas Michael não conseguiu repetir o mesmo êxito de Thriller. De qualquer forma, Bad deu origem a uma turnê mundial de shows e foi seguido por uma empreitada cinematográfica, o filme Moonwalker, de 1988. Uma das sequências mais marcantes deste longa-metragem é um clipe genial dirigido por Jim Blashfield para a música "Leave me Alone". Um verdadeiro mosaico visual em que Michael critica o assédio da imprensa sensacionalista, satirizando algumas histórias especuladas por tablóides, que o apelidaram de "Wacko Jacko". Mal sabia MJ que viriam coisas muito piores envolvendo sua vida pessoal nos anos seguintes...

Creio que Bad foi o último grande disco de Michael. Ele, cujo visual já exibia um estranho processo de desbotamento de pele, paulatinamente passou a ser mais conhecido pelas esquisitices do que pela qualidade de suas músicas e coreografias. Acusações de pedofilia, o casamento sui generis com Lisa Marie Presley, o rosto cada vez mais deformado por cirurgias plásticas, os gastos extravagantes com seu rancho particular sugestivamente chamado de Neverland (a "Terra do Nunca" de Peter Pan), o momento bizarríssimo em que Michael segurou de forma arriscada um de seus filhos na sacada de um hotel em Berlim e as despesas milionárias com advogados por conta de extensos processos judiciais movidos por pais de garotos que teriam dividido a cama com o Rei do Pop conspurcaram de forma irremediável sua imagem de artista. As vendas declinaram, e o resultado foi desastroso: dívidas estimadas em cerca de US$ 200 milhões.

Dizem que Michael Jackson sofreu de depressão, durante a adolescência, porque não queria aceitar o fato de que estava crescendo. Essa síndrome de Peter Pan talvez ajude a entender o enigma deste gênio da música pop, compositor de inúmeros sucessos como "We Are the World" (ao lado de Lionel Ritchie), mas que acabou por prejudicar sua carreira com atitudes excêntricas e inexplicáveis. A série de 50 shows que faria a partir do mês que vem, em Londres, estava obrigando o astro pop a fazer ensaios intensivos, apesar de ter a saúde e o espírito fragilizados após anos de isolamento do mundo, piadas maledicentes, processos desgastantes, dívidas milionárias, uso excessivo de remédios. O resultado acabou sendo trágico: a morte precoce de Michael Joseph Jackson, que aos 50 anos de idade deixou três filhos, um legado artístico incontestável e milhões de fãs estarrecidos.

Capa do site do NY Times no dia da morte do Rei do Pop

Sua morte monopolizou as discussões no Twitter e ofuscou os outros fatos do dia. Não é difícil de entender. Em um mundo cada vez mais multifacetado, sem consensos ideológicos ou utopias capazes de engajar multidões, restaram poucas unanimidades de interesses. Uma delas, como já tergiversei anteriormente, é a cultura pop: tudo que lemos, ouvimos, assistimos, consumimos. Michael Jackson foi um fenômeno cultural que atraiu interesses dos mais díspares cantos do mundo com suas músicas e coreografias. Nestes tempos de long tail, será muito, muito difícil surgir um outro artista capaz de vender tantos discos, fazer tamanho sucesso, atrair tanta atenção. Michael destacou-se em tempos nos quais walkmans, fitas cassete, vinis, máquinas de escrever, aparelhos de fax e fichas telefônicas ainda não faziam parte do tal "museu de grandes novidades" cantado por Cazuza.

Envelhecemos, envelhecemos. Mas enfim, é a vida que segue. Para encerrar este post, decidi postar aqui uma música singela, que por razões contratuais foi creditada a um certo "W. A. Mozart": trata-se de "Happy Birthday, Lisa", canção composta por Michael para um dos melhores episódios dos Simpsons.

Descanse em paz, Michael.

por Alexandre Inagaki // 26/06/2009 - 08:09
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O primeiro álbum solo de Ricardo Koctus, baixista do Pato Fu

23/06/2009 - 10:42 | 664 visitas

Dizem que baixistas são uma espécie de coadjuvantes de uma banda, ficando relegados a uma espécie de segundo plano, enquanto guitarristas e bateristas fazem seus solos. Outros preferem fazer uma analogia futebolística, comparando-os a goleiros; só aparecem quando cometem uma falha. Bem, creio que não preciso me estender muito para deixar claro que essas comparações são injustas; contrabaixistas são fundamentais para ditar o ritmo, o suíngue e o andamento de um bom arranjo. Flea, Geddy Lee, Jaco Pastorious, Bootsy Collins, Paul McCartney, Arthur Maia, Les Claypool, Steve Harris e Bi Ribeiro, só para citar alguns nomes, não me deixam mentir.

Pois bem: quando você pensa em Pato Fu, os primeiros nomes que lhe surgem na cabeça provavelmente serão os de Fernanda Takai e John Ulhoa. Nada mais natural, tendo em vista os talentos de Fernanda e John e a própria tradição do rock'n'roll, que costuma relegar baixistas a um plano mais discreto. Mas eis que, após 17 anos como baixista do Pato Fu, Ricardo Koctus, que já ensaiava alguns vôos mais altos assumindo os vocais do The Presley's Band (banda especializada em fazer covers de canções menos conhecidas de Elvis), está lançando seu primeiro álbum solo.

Ricardo Koctus em foto de M.Rossi

"Koctus", álbum com 12 faixas compostas por Ricardo, foi produzido por Gerson Barral e Carlos Eduardo Miranda, e revela facetas artísticas até então eclipsadas do baixista do Pato Fu, que neste disco solo assume vocais e violões. Inspirado por cantores como Ed Harcourt e Roberto Carlos (vide o nome da faixa 10, "Se Sorri ou Se Chorei"), trata-se de um álbum autoral, com canções que não disfarçam sua pegada pop. Destaco em especial as músicas "Por Você e Ninguém Mais", um blues rasgadamente romântico ("Ah, meu amor/ A vida segue em frente/ E, seja o que for/ O passado pouco importa pra nós dois") e "Metade", parceria de Koctus com a escritora Valéria Tafuri ("Metade de mim irá morrer/ Metade sobreviverá/ Metade o ódio me consome/ Metade o tempo esquecerá/ Fico parado/ Faço silêncio/ Espero um dia voltar").

O primeiro álbum solo de Ricardo Koctus pode ser adquirido através do seu MySpace ou do site da Tratore. Em tempo: caso você esteja em São Paulo, não deixe de conferir o show de lançamento de "Koctus" hoje, dia 23/06, no SESC Pompéia, às 20 horas.

por Alexandre Inagaki // 23/06/2009 - 10:42
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