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Out31

Livros e exposição no Victoria & Albert, em Londres, comemoram David Bowie

Postado Gaia Passarelli // Londres, exposição, david bowie, livros

Num país que tem Beatles e Stones no pódio de artistas mais populares de todos os tempos, sobram motivos para celebrar David Robert Jones, que todos conhecemos como David Bowie.

O clichê do "camaleão do rock" ainda serve, mas aos 65 anos, cinquenta de carreira artística, Bowie é muito mais que isso: músico, ator, produtor, colecionador de arte, marido da Iman, um dos performers mais provocadores do século. Ele é inspiração pra todo mundo que veio depois. Madonna e Lady Gaga são os exemplos mais óbvios, mas não haveria Michael Jackson ou Prince ou os excessos estéticos do punk ou as turnês mirabolantes do U2. Em resumo: Bowie é foda.

As comemorações de cinquenta anos de carreira de Bowie dificilmente vão contar com uma tour ou novo disco. Vivendo há duas décadas em Nova York, ele desmente ano sim e outro também os boatos de shows no Coachella, não aparece na imprensa, negou aparição no encerramento das Olimpíadas e, dizem, tem pouco contato com os amigos e colegas. Mas aqui no Reino Unido, de onde escrevo hoje, vários livros publicados e uma mostra de seus figurinos, instrumentos, fotos e objetos celebram sua vida e obra.

A exposição David Bowie está programada para acontecer entre março e julho de 2013 no bacana Victoria & Albert Museum, em Londres. Um acontecimento e tanto para fãs e programa imperdível pra qualquer interessado em música que esteja passando pela Inglaterra. A mostra vai exibir instrumentos e roupas que Bowie usou ao longo de seus produtivos cinquenta anos de carreira e também desenhos, letras de músicas escritas à mão, fotografias e capas de discos.


Uma das roupas exibidas na mostra

O semanário NME veio com pôster dele encartado na semana passada e, nas andanças por aqui, tenho visto em todas as livrarias e em muitas lojas de discos uma porção de livros dedicados ao artista. Separei três que, confesso, ainda não li. Mas vale a dica. Bowie pode estar recluso, mas sua obra está mais disponível do que nunca para ser admirada e analisada.

'Bowie in Berlin: A New Career in a New Town' desfia detalhes sobre os três anos que Bowie passou na capital alemã. A fase é considerada por muita gente como a mais brilhante da carreira dele, mas nem sempre é a mais fácil. A famosa trilogia de discos gravados em Berlim ('Low', 'Heroes' e 'Lodger', mas apenas o segundo foi realmente gravado em Berlim) tem influência de Kraftwerk e kraut-rock, parceria com Iggy Pop e tons experimentais e cinzentos.

A biografia 'The Man Who Sold the World – David Bowie and the 1970s', de Peter Doggett, foi dica do Andre Barcinski nesse ótimo post aqui e analisa a carreira de Bowie durante a década de setenta, analisando sua obra e acontecimentos do turbulento período.

Por fim 'David Bowie Style' oferece um guia fotográfico das muitas fases do camaleão ao longo da carreira. Saiu em outubro desse ano e tem cerca de 120 páginas, com fotos fantásticas e análises de figurinos icônicos como da tour Ziggy Stardust mas também de fases menos abusadas. Lançado esse ano, vem até 2012 - fase Bowie caminhando de moleton, óculos escuros e calça jeans em Nova York.


As várias fases de Bowie são contempladas nos livros

Set04

Para a sua estante: os músicos que estão se arriscando na literatura

Que tal conhecer melhor o Morrissey por ele mesmo? A autobiografia do cantor/autor/militante vegetariano/amante dos gatos/etc sai em dezembro na Inglaterra e promete vir cheia das opiniões de Moz sobre a vida, o universo e tudo mais.

A autobiografia de Morrissey é um dos lançamentos mais importantes do ano em qualquer gênero literário, mas no quesito autobiografia de artista ele não está sozinho. Pete Townshend, Leonard Cohen, John Taylor e Peter Hook também lançam sua histórias. Muito disso se deve ao sucesso recente das autobiografias de Bob Dylan (Chronicles), Keith Richards (Life) e Patti Smith (Just Kids).

Peter Hook, baixista e fundador do Joy Division e do New Order, já se aventurou pela escrita antes. No hilário 'Hacienda: How Not to Run a Nightclub', Hook conta os bastidores do histórico club de Manchester e da gravadora Factory, ambas incursões das bandas por assuntos comerciais com resultados pouco rentáveis. Lançado em fins de setembro, 'Unknow Pleasure: Inside Joy Divison' conta a história de sua juventude ao lado de Bernard Sumner, Stephen Morris e Ian Curtis em Manchester, com direito à muitas alfinetadas em Sumner e sentimento de culpa pelo suicídio de Curtis.

Assim como Hook, Pete Townshend hoje em dia exerce seu lado escritor com mais frequência do que faz música. 'Who I Am' tem lançamento programado para outubro próximo e, entre análises da carreira do The Who e lembranças da juventude mod em Londres, fala sobre abuso sexual sofrido por Townshend na infância - e sobre as acusações relacionadas à posse de pornografia infantil que o guitarrista sofreu durante sua pesquisa para escrever esse livro.

'In The Pleasure Groove: Love, Death & Duran Duran' promete ser o mais quente no que diz respeito a detalhes sórdidos e histórias impublicáveis. Escrito pelo baixista do Duran, também sai em outubro. 

Um outro estilo, bastante pessoal, é usado por Neil Young em 'Waging Heavy Peace: A Hippie Dream', escrito com o auxílio de um ghost-writer. Young fala abertamente sobre a sua discreta vida pessoal, sobre seus projetos musicais e sobre Buffalo Springfield, Crosby, Stills & Nash e Crazy Horse, passando por seus momentos no Canadá, Los Angeles e Havaí. O lançamento é em setembro e o livro 'deve entrar para a história ao lado das biografias de Keith Richards e Bob Dylan', de acordo com a editora. 

Pessoal também é a autobiografia de Beth Ditto. A vocalista do Gossip escreve sobre sua vida no sul dos EUA e como foi de outsider do colegial para a forte e fantástica vocalista do Gossip. 'Coal to Diamonds' sai em outubro (e eu vou querer ler).

Mas há mais: uma enciclopédia sobre Prince, uma biografia semi-autorizada de Leonard Cohen, um estudo profundo e bem pesquisado sobre os significados de Mick Jagger e uma nova obra prometendo ser o livro definitivo sobre o Led Zepellin. Tudo isso sai em língua inglesa ainda em 2012 e os nomes maiores devem ganhar tradução para o português. Vale pedir de Natal no fim do ano.

As dicas são do Guardian.

Enquanto isso, aqui no Brasil... João Barone, o baterista dos Paralamas do Sucesso, lança em setembro mais um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, tema do qual é estudioso. Sai em setembro e vai tratar sobre a participação do Brasil no conflito. A pesquisa de Barone no assunto já rendeu dois livros, um programa no National Geographic Channel e uma série de homenagens e condecorações do Exército e do Ministério da Defesa.