Amigos,
Participei dessa matéria que a MTV fez sobre o trabalho do Rocinha.com e, consequentemente, meu trabalho como blogueira de plantão.
Foi muito legal! Fiquei amiga da produtora, pude mostrar um pouco do trabalho do Levi e do Rodrigo no Stúdio 5 e dar aquela moral pro trabalho do Ocimar no Rocinha.org - que merecem!!!
Vocês podem ver um pouco da Rocinha e acompanhar essa matéria que apareceu no programa do Casé clicando aqui.
Queridosssss.... muita gente me pergunta sobre as obras do PAC na Rocinha.
Qual minha opinião sobre os resultados, se acho q foi positivo, se foi mais um marketing pessoal do do que realmente uma boa obra pra Rocinha, etc....
Bem... eu estava totalmente descrente, inclusive pq no período das obras da abertura de uma rua ao lado da minha casa, ficou impossível de ir e vir tranquilamente. Foi um período bem difícil sim, mas agora, que vejo as obras “terminadas”, fiquei feliz com o resultado.
As aspas aí de cima são pra dizer que elas não foram totalmente acabadas. Por exemplo, o teto dos apartamentos entregues não estão finalizados...mas, na soma total (olha a frase de efeito chula rs.....) o resultado foi positivo.
A Rocinha tem um grande índice de tuberculose e com a retirada das casas para abrir a rua, o ar pode entrar, o sol marcar presença e melhorar bastante a qualidade de vida dos moradores. Pois, o bacilo de Koch, causador da doença, se prolifera principalmente em ambientes fechados e sem luz, como as casas pequeninas que existem na comunidade, com mofo e mal arejadas.
Imagina, o infectado dá um espirro e pronto.... o tal Koch fica no ambiente para infectar a próxima vítima...é mais ou menos isso.
O colorido das casas também ficou ótimo, claro que é muito “para inglês ver”, na minha casa mesmo, foi pintada a lateral, a qual dá de frente para a a rua principal e a minha fachada, ficou sem tinta Kkkkkk.....
Mas tudo bem, mesmo assim, a Rocinha ficou bem legal. Aos domingos, os moradores saem de suas casas e vão usufruir da nova obra, tomando suas cervejinhas no calor e observando seus filhos brincarem nas novas pracinhas, então, pra mim, o resultado foi positivo.
Aos “pensadores” de plantão, aviso que esta é minha visão geral, estou desconsiderando alguns pontos... e assim fica melhor.

Amigos, tô de volta!!! Sei que andei bem afastada do blog.... mas mudanças, às vezes, fazem a gente dá uma parada e pensar um pouco. Bem....novidades e novidades! Estou gravidíssima e com quase 5 meses. Se vc está se perguntando: - “Como assim Bial??????????”, saiba que eu também me perguntei pq descobri com 3 meses. Foi melhor assim, pois passei a fase dos cuidados excessivos e as superstições como: ´não pode falar que está grávida`, ´não pode subir escadas`, ´dançar – nem pensar!!!`, ´não pode fazer esforço!!!!`, enfim...entre outros tantos comentários que circundam os três primeiros meses, né verdade??????????
O bebê tá lindo e será um meninão... ainda não tenho certeza do nome. Quero Miguel, mas o pai não está muito feliz com o nome não...então, pensamos em Davi, estamos em fase de “acordo” rs... O difícil agora é conseguir um cantinho novo pra minha família, acho legal passar isso pra vcs, pois dá uma noção do que eu, como moradora de uma comunidade, estou passando.
Sempre tive o objetivo de sair da Rocinha pra ter um bebê em um lugar mais calmo. Na Rocinha tem pouco espaço para crianças brincarem, é tudo muito agitado: motos, carros, ônibus, vizinhos gritando, pessoas fazendo festas com o som na maior altura..ai...ai...ai.... Aqui no Rio, os aluguéis estão muitíssimos caros e todos querem fazer contrato com 30 meses. No momento está difícil uma vida nova em uma casa nova.... estamos tendo fé pra ver como as coisas se encaixam. Bem... é isso!!! Voltei com o pé direito, tô certa????? Segue uma fotinha da minha barriga para os internautas amigos de sempre. Landa Araújo
"CONTRARIANDO AS ESTATÍSTICAS"
Contrariando as estatísticas, sou nascido e criado na maior favela do Brasil e nem por isso sucumbi a essa deficiência social. Sobrevivi. Ao contrário de grande parte de meus amigos do álbum de escola.
Contrariando as estatísticas, sou carioca da Praça 11 e nasci branco, loiro e de olhos azuis, numa comunidade de nordestinos, portanto, passei longe da sanfona e logo me tornei sambista.
Contrariando as estatísticas, sou filho de um flamenguista roxo, que me deu esse lindo nome (Ocimar) em homenagem a um meio-campista do Bangu que arrasou com o Flamengo na decisão do campeonato carioca de 1966; mas num rompante supremo de personalidade precoce, me tornei torcedor do Fluminense.
Contrariando as estatísticas, sou um tricolor que já vestiu a camisa do Flamengo, mas (ufa!) nunca aprendi a amá-lo. Talvez a única vez que desrespeitei meu velho pai ainda muito menino. Futebol é uma paixão incógnita, que não se instrui, controla ou prevê. Sou uma prova disso.
Contrariando as estatísticas, diferente de parte da torcida calejada pelo sofrimento, há tempos venho nutrindo a certeza absoluta desse título. Tinha 18 anos em 1984 e senti a mesmíssima energia daquela época, a energia de ser campeão incontestável.
Contrariando as estatísticas, me chamo Ocimar Almeida e me sinto devoto do Sobrenatural (também de Almeida) tão decantado por Nelson Rodrigues. O fato, é que ao contrário do mito e das crônicas esportivas, eu acredito cegamente na sua existência…
Contrariando as estatísticas, não acho que o Flu seja um ‘time de guerreiros’, mas sim, um guerreiro que hoje tem um time. O Fluminense não tem torcedores, tem seguidores e fiéis; amá-lo não é torcer, é ter uma religião. Não existe um conglomerado humano, simbiótico, tão apaixonado e excitante, tão lindo, como este que veste verde, branco e grená.
Contrariando as estatísticas, o que mais me fascina no Nense, é mesmo o calor dessa fantástica torcida. Os times passam, ela não. Não aprecio quantidade, e sim, qualidade; nesse caso, pouco importa a quantidade de amantes mas sim a qualidade suprema e absoluta do amor, por isso eu sou tricolor.
Contrariando todas as estatísticas, eu sou um brasileiro que ás vezes desiste, sou um carioca que gosta de trabalho, e um mundano que acredita muito em Deus. E o mais incrível ainda: hoje eu amo um argentino…
Fluminense eterno amor. orgulho de ser tricolor.
Ocimar Santos - Rocinha.org
Um olhar de quem 'não pode' participar dessa guerra. Foto: AP

Sobre a onda de violência no Rio, Rocinha.org deu entrevistas para a CNN, uma emissora da Argentina, jornais, sites e até rádios do Brasil inteiro, mas, o que falar?
Certo dia um coloborador de nossa ONG nos telefonou e disse algo no sentido de que estava aberta uma possibilidade muito legal, e que poderíamos enviar um projeto para a UPP Social. Não sabemos direito detalhes sobre as atividades da UPP Social, mas, imaginamos que sejam um conjunto de projetos sociais voltados para as comunidades pacificadas pelo Estado, ou seja, melhorias de caráter essencial que venham beneficiar as favelas que hoje são controladas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Nossa amiga apenas esqueceu que a Rocinha não é uma comunidade pacificada. Imagine ficar levantando uma bandeira social da UPP numa favela em seu estado in natura? É complicado...
É verdade que após aquele episódio envolvendo a invasão do Hotel InterConinental em São Conrado, acendeu um certo sinal de alerta com relação a Rocinha e todo seu histórico relacionado á violência, que infelizmente maculam a imagem da maior comunidade. As imagens ganharam o mundo, a mídia foi implacável, e a opinião pública voraz, e quando isso acontece hoje, o remédio é a UPP. Até os meliantes sabem que o fato foi um verdadeiro 'tiro no pé', como também sabem que se fizer uma pesquisa na 'boca miúda', - preservando a integridade física e identidade do morador - sobre querer ou não uma dessas unidades na Rocinha, o 'sim' será avassalador. É só ver o que anda acontecendo no Alemão.
É claro que muita gente vive a margem do tráfico, por força do consumo de drogas, histórico familiar, ou de outros motivos. Em muitos casos, alguns nasceram para o crime mesmo, não tem jeito. Mas na maioria das vezes o 'diabinho sedutor' que leva o jovem pro caminho da marginalidade, poderia ter sido 'exorcizado' antes, com um choque de educação, um choque de oportunidades, ou um choque de cidadania. O morro urra por isso. Muitas feridas não seriam abertas, muitas vidas seriam poupadas. O Alemão só chegou onde chegou pela ineficácia da mesma força que hoje o ataca.
Quando falamos de 'Um olhar de quem não pode participar dessa guerra', estamos dando margem para várias interpretações. É preciso interpretar corretamente. Na realidade, estamos no centro nervoso da guerra, participando ativamente, somos parte disso, pois somos da Rocinha! Somos uma ONG, um Portal, uma voz que ecoa do morro e que também clama por PAZ. Mas até para pedir paz tem que ter jeito. Rocinha.org prefere ficar na berlinda e dizer que prefere apenas que a comunidade fique em paz, é mais prudente.
Ligam da CNN, de Brasília, do exterior, de tudo que é lugar, e as perguntas dos jornalistas sempre convergem para um lugar comum, o tráfico. Todos querem saber se a Rocinha quer UPP. Pow que pergunta! Parece que os moradores do complexo do Alemão podem responder isso. Responder respaldado por um tanque de guerra e soldados camuflados fica mais fácil, se bem, que nós que somos oriundos da favela sabemos que ainda assim dá um friozinho na barriga... São muitos anos conhecendo apenas um lado...
Por favor, parem de perguntar essas coisas, será que vocês não sabem mesmo a resposta do povo?!
(Editoria - Rocinha.org)