

Rock do Mato é o blog de Rafael Meira, que de maneira despretensiosa documenta o que rola na cena musical de Mato Grosso do Sul, onde fica o Pantanal e voa o Tuiuiú.
Foi decidido hoje pelo STF que não é mais obrigatório ter diploma para exercer a profissão de jornalista. Ou seja, você que estudou durante quatro anos numa universidade particular e pagou uma nota preta de mensalidade, ralou feito louco (tanto na particular quanto na federal ou estadual) para realizar o sonho de ser jornalista, perdeu seu tempo, pois, qualquer Zé Mané pode exercer a profissão.
De acordo com o relator do processo, o presidente do STF, Gilmar Mendes, aquele que concedeu habeas corpus ao Daniel Dantas e bateu boca com o ministro Joaquim Barbosa durante sessão plenária do tribunal (pra não citar mais fatos), “a formação específica em cursos de jornalismos não é meio idôneo para evitar eventuais riscos à coletividade ou danos a terceiros”, acredito que essa afirmação deveria valer para outras profissões também, como a advogado, por exemplo. Os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello tiveram a mesma postura do relator. O único a votar pela exigência do diploma, Marco Aurélio Mello disse que qualquer profissão é passível de erro, mas que o exercício do jornalismo implica uma “salvaguarda”.
Tenho que concordar que a universidade não garante a qualidade do profissional, mas talvez isso não seja culpa dos estudantes e sim de quem é responsável por zelar pela qualidade dos cursos. Com o aumento do número de universidades particulares, observamos cada vez mais que as instituições de ensino superior não estão nem aí que seus universitários saiam maus profissionais, eles estão preocupados se o boleto da mensalidade foi pago, e isso é grave. O que podemos identificar nas universidades públicas é o sucateamento das ferramentas necessárias para o ensino, seja em curso de comunicação ou na área de saúde, os acadêmicos e professores têm de criar alternativas para conseguir um ensino de qualidade, o que devemos fazer?
Voltando a questão do diploma do jornalismo, fico pensando como ficará a questão salarial, pois, com a obrigatoriedade o piso já era baixo, agora que qualquer um pode exercer a função temo que ele possa cair ainda mais, já que nem todas as empresas de comunicação se importam com a qualidade do conteúdo e fazem de tudo para diminuir sua folha salarial.
Em outra declaração infeliz, o ministro Gilmar Mendes comparou a profissão de jornalista com a de chefe de cozinha. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, mais infeliz impossível a meu ver.
A advogada do Sertesp, Taís Gasparian, citou a questão da disseminação da informação na internet através dos blogs, mas podemos comparar os blogs à editoria de artigos e editoriais, no qual qualquer pessoa pode colaborar, na verdade, qualquer profissional podia ser um colaborador remunerado em um jornal, só não podia exercer em período integral a profissão de jornalista.
Maus profissionais sempre haverá em todas as áreas, acredito que o curso superior para qualquer profissão agrega diversas vantagens e quem sai ganhando com um jornalista de formação, ou qualquer profissional qualificado, é a sociedade. Ou seja, infelizmente, esta quarta-feira, 17 de junho de 2009, foi um retrocesso histórico para os jornalistas.




















