

Terra de St. Patrick é o blog de Mariana Menezes. A moça está morando na Irlanda e conta, neste espaço, tudo o que rola por lá.
Meus últimos dias de Irlanda, foram muito bons. Como estava totalmente sem compromisso com trabalho e escola, aproveitei pra curtir Dublin. Ir nos Pubs, dar uma volta na Trinity College, conhecer o famoso Book of kells, que é considerado o livro mais bonito do mundo e simplesmente andar pela cidade, que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer por aqui.
O que parecia ser meu último dia, foi muito estranho, muito nostálgico. Todos os lugares que passei no caminho de casa pro aeroporto me lembravam alguma coisa. Quando cheguei lá, parecia que estava revivendo a minha chegada, a angústia de ter deixado a família e os amigos no Brasil, a insegurança por causa das diferenças culturais, o idioma, o medo do desconhecido...Foi um misto de emoções, que acabou no balcão do check-in quando descobri que por um erro da agência em que comprei minha passagem, não poderia voar naquele dia. Ok, meu próximo voo só sairia três dias mais tarde, o que significa que ganhei algumas horas extras em Dublin.
Nesse período, passou Natal, fui andar de patins no gelo, fiz uma despedida, e finalmente chegou o grande dia. Coração na mão por ter que deixar os amigos que conheci aqui e principalmente meu namorado. Novamente começou a passar um livro pela minha cabeça...meu primeiro dia em Dublin, a host family, primeiras entrevistas em inglês, primeiro dia de escola, as casas em que morei, meus flatmmates, o blog...ufa! Muita coisa aconteceu nesses quase dois anos. A partir daí eu comecei a entender melhor, porque uma experiência no exterior valoriza tanto seu currículo.
Realmente nós amadurecemos muito quando vamos morar fora. Temos que nos adaptar a outra cultura, outro clima, ter contato com pessoas diferentes, línguas diferentes, começar a trabalhar em lugares que jamais esperávamos trabalhar se estivéssemos em nosso país. Mas, tudo isso vale muito a pena. Aprendi muito, e ás vezes quando vejo fotos das minhas viagens, dos países que visitei, parece que foi tudo um sonho. Não me arrependi em nenhum momento e se tivesse que fazer, faria tudo de novo, viveria tudo novamente.
E a única coisa que tenho a dizer é que minha vida se divide em AE/DE: Antes da Europa e depois da Europa. Vou sentir falta...
Infelizmente não vou poder manter o blog Terra de St Patrick morando no Brasil, mas continuarei escrevendo no “dados na telha”. Coming soon!
Agora vejam as fotos da minha despedida:




Este ano me programei pra passar o Natal em casa, no Brasil, mas por causa de um problema com o vôo, tive que adiar a viagem do dia 23 de dezembro para o dia 26. Então esse foi meu segundo Natal na Irlanda.
Inicialmente não teve muita diferença do ano passado. A decoração nas ruas era a mesma, nos rádios e nas lojas, tocavam as mesmas músicas natalinas do ano passado, e apesar da crise que se instalou no País em 2009, o comércio estava tão movimentado quanto em 2008.
Em relação à celebração mesmo, o primeiro Natal foi um pouco mais parecido com o do Brasil, porque eu e as brasileiras com quem dividia a casa resolvemos fazer uma ceia – na véspera do Natal - mais abrasileirada, com direito a peru, farofa e etc. Os irlandeses comemoram somente no dia 25 mesmo, então depois da nossa ceia, fui pra casa do meu namorado Nick, pra saber como é um típico natal irlandês.
Mais ou menos como acontece no Brasil, aqui eles também não abrem mão da árvore de Natal, na casa do Nick ela tem mais de dois metros e é natural, assim como as guirlandas que decoram a porta. Como em dezembro aqui é inverno, a família também faz questão de acender as lareiras, o que dá a sensação de está assistindo a um daqueles filmes natalinos de sessão da tarde, com a diferença de que apesar do frio de 1 grau aqui não nevou no dia 25.

Eu, Nick e o pai dele Stephen, ao lado da lareira e da árvore
Antes da ceia eles fazem um festa para os amigos, só com bebidas, vinho, champanhe etc. O povo comparece mesmo, vem trazer presentinhos, cartões e desejar Feliz Natal. A festinha geralmente começa no dia 25 ao meio- dia e termina por volta das 16h. Depois fica somente a família mesmo para o almoço - ou jantar - que acontece mais ou menos às 16h30.
No cardápio da ceia tem peru, tender, uma outra carne chamada ‘sausage meet’, que é mais ou menos como uma linguiça, mas com formato diferente. Para acompanhar, batatas assadas, ervilhas, ‘cramberrie sauce’, um molhinho doce feito de ‘cramberries’- que é uma frutinha vermelha que eu nunca vi no Brasil – gravy, outro molho que eu não sei do que é feito e stuffing, que lembra um pouco uma farofa. Na sobremesa, eles servem ‘Christmas Pudding’, que até lembra um pouco panetone, só que muito mais pesado e com um gosto mais forte. Na hora de servir eles ainda jogam whisky para flambar.
Depois do jantar, assim como no Brasil, rola a troca de presentes encerrando a comemoração. Ah, e como a maioria dos Irlandeses, a família do Nick também é católica, então na véspera do Natal, todos vão à missa.
Outra coisa que não pode faltar no Natal dos irlandeses são os Christmas crakers. Eles tèm o formato de um bombom gigante, aí cada pessoa puxa um lado do cracker, quando quebrar, o que ficou com a parte maior tem direito às lembrancinhas que estão dentro do objeto: um presentinho, uma coroa de papel e uma piadinha.
Apesar da temperatura ser bem diferente da do Brasil, a Irlanda comemora o Natal mais ou menos como a gente, já o Ano novo....esse realmente não dá pra passar longe do Brasil. Então me aguardem que eu estou chegando.
A Irlanda é conhecida como Ilha Esmeralda pela abundância do verde que se espalha pelo País por meio das árvores, dos gramados, dos jardins e da mata. Até mesmo nas maiores cidades, como Dublin, a população é beneficiada por vários parques e praças que são cuidadosamente mantidos – pelo menos a maior parte deles – pela prefeitura e preservado pelos frequentadores.
Aproveitando a deixa da Conferência Climática de Copenhage, resolvi escrever um pouco sobre o que esta pequena ilha tem feito pela preservação do meio ambiente. As ações que vou citar, são simples e algumas já foram adotadas por cidades brasileiras, mas de qualquer forma acho legal divulgar.
Lixo
Aqui nós temos o black e o green bin (lixo preto e verde). O preto é o não-reciclável e o verde é o reciclável. Pelo preto nós pagamos, pelo verde não existe taxa. Essa foi uma forma inteligente encontrada pela prefeitura para incentivar a reciclagem. E funcionou. Cerca de 400 mil residências na região de Dublin faz a separação do lixo atualmente.
Agora o que me impressionou mesmo foi a implementação da coleta do lixo orgânico, o brown bin, como é conhecido por aqui. O projeto ainda é novo, foi iniciado há cerca de dois anos e por enquanto atende cerca 110 mil domicílios, mas o objetivo da prefeitura é ampliar a ação nos próximos dois anos.
Além disso, a cidade ainda conta com um projeto chamado Centre Rediscovery, pra incentivar a comunidade a consertar e reutilizar móveis quebrados ou danificados ao invés de descartá-los. Esse por enquanto ainda é um projeto novo que atende apenas algumas áreas mais carentes da cidade.

Transporte
Dublin não chega a ser como Amsterdã, mas as bicicletas também são muito utilizadas como meio de transporte por aqui. Agora se tornou comum pra mim, mas no começo ficava impressionada quando via homens de terno e gravata e mulheres de salto alto indo trabalhar de bicicleta. Mas, por que isso acontece? Simples: porque há ciclovias na cidade toda! Sei que foi iniciado um projeto para a criação de ciclovias próximas a estações do metrô de São Paulo. É um comeco, mas muito pequeno perto do tamanho da cidade.
O governo Irlandês também cogita a possibilidade de usar o etanol brasileiro. A meta é reduzir a emissão de gases poluentes utlizando até 10% de energias renováveis no setor de transporte.
Green bags
A primeira vez que fiz compras em Dublin, a moça do caixa perguntou se eu precisava de sacola. Eu disse que sim, claro. Ela então, pegou uma sacolinha e passou o código de barras no leitor. O valor? Cerca de 0,30 centavos de euro, ou mais ou menos 0.80 centavos de real. Na hora tive uma sensação de raiva. Como assim, pagar quase um real por uma sacolinha?!!! Mas depois do choque inicial, providenciei a minha `green bag`, que nada mais é que uma sacola de pano - que eu torço para que se popularize no Brasil - e hoje vivo perfeitamente sem as sacolinhas do supermercado.
Se no Brasil os supermercados começassem a cobrar pelos saquinhos de plástico, tenho certeza que muita gente iria se revoltar e com certeza os estabelecimentos receberiam várias reclamações por causa disso, por isso acho que provavelmente isso não vá acontecer tão cedo. No entanto, isso não significa que você que está lendo esse texto não possa por iniciativa própria providenciar a sua sacolinha de pano, ou mesmo usar novamente aquelas de plásticos das últimas compras.
Essas são apenas algumas das atitudes adotadas pelos Irlandeses, para ajudar na preservação do meio-ambiente. Cada um pode contribuir também, reciclando o lixo, economizando energia, dando preferência ao transporte público e torcendo para que alguma coisa boa aconteça essa semana em Copenhage. Eu já estou de dedos cruzados!
O nome desse blog já deixa clara a influência do catolicismo na vida dos irlandeses. Uma das maiores festas que acontecem por aqui é sem dúvida alguma o dia de Saint Patrick, devido a importância que o santo teve na cristianização da Irlanda. No entanto, os últimos dias tem sido marcados por escândalos envolvendo padres que cometeram abusos físicos e sexuais contra crianças.
Na última quinta-feira, foi divulgado um relatório de mais de 700 páginas sobre uma investigação de abusos cometidos por membros da igreja na região de Dublin. De acordo com o documento, a instituição encobriu casos que aconteceram em 30 anos contra centenas de crianças em instituição católicas locais.
Os irlandeses ficaram ainda mais horrorizados com o fato de que todos os que estavam na posição de arcebispo durante o período de 1975 e 2004, sabiam o que estava acontecendo, mas simplesmente ignoraram o fato, o que deixa claro que a prioridade da diocese era a instituição e não as crianças.

St Ann's Church
A divulgação desse relatório, levantado por uma Comissão Especial de Investigação, teve uma grande repercussão na Irlanda e na imprensa internacional, uma vez que o documento relata em detalhes os abusos que foram cometidos por 102 padres. Um dos casos relatados, fala sobre um padre que admitiu ter abusado de mais de uma centena de crianças e um outro que cometia abusos pelo menos uma vez a cadaq uinzena durante os 25 anos de seu ministério.
De acordo com o “The Irish Times” - um dos principais jornais da Irlanda – o relatório ainda diz que durante a investigação, a comissão enviou diversas cartas ao Vaticano para obter mais informações sobre os abusos, porém todas elas foram ignoradas.
O arcebispo de Dublin Diarmuid Martin pediu desculpas aos que sofreram abusos, mas afirmou que nenhum pedido de desculpa seria suficiente.
Esse é o segundo relatório divulgado pela Comissão de Investigação esse ano. O primeiro, relatava abusos cometidos de 1930 a 1990 em escolas católicas espalhadas por todo país. Os dois casos deixaram os irlandeses indignados, especialmente pelo fato de terem sido encobertos pela igreja, a Instituição que até então era respeitada e que sempre exerceu grande influência na Irlanda.
O mais triste é que todos os envolvidos provavelmente sairão impunes, enquanto os que sofreram os abusos, terão passar o resto da vida tendo que conviver com o trauma.
Mas e a credibilidade da igreja católica? Bem, essa eu acho que vai ser difícil de recuperar...
Como era de se esperar, a trapaça que rolou no último jogo entre Irlanda e França, continua repercutindo por aqui. O assunto mais uma vez teve grande destaque nos principais jornais irlandeses, mas a FIFA não voltou atrás na decisão.
De acordo com o periódico The Irish Independent, durante uma conferência da União Européia em Bruxelas, na Bélgica, o primeiro ministro irlandês, Brian Cowen encontrou o presidente da França Nicolas Sarkozy. Os dois não deixaram o assunto passar batido, porém Sarkozy pediu a Cowen que o deixasse de fora disso porque era um assunto totalmente estranho para ele. Francois Fillon, primeiro ministro francês, também entrou na conversa dizendo que o governo Irlandês não deveria misturar política com futebol, mas pelo visto não é bem o que está acontecendo.
Cowen afirmou que não pediu a repetição da partida à Sarkozy, ele simplesmente perguntou o que o presidente havia achado da vitória da França. O primeiro ministro irlandês também disse que apóia a decisão da FIA (sigla em inglês para Associação Irlandesa de Futebol), de pedir que o jogo seja repetido e que ainda reforçará o pedido por meio do Ministro dos Esportes Martin Cullen, que enviará uma carta à FIFA em nome do Governo Irlandês. Até mesmo Thierry Henry, deixou claro que sente muito pela seleção irlandesa e que a solução mais justa para o caso seria a disputa de uma nova partida.
Manifestações
Um grupo de internautas está organizando - via facebook - um protesto em frente à Embaixada Francesa nesse sábado. Quase 300.00 pessoas já entraram na página apoiando o ato, que promete ser totalmente pacífico e em clima de festa. A jornalista irlandesa, Geraldine Comiskey do tablóide Sunday World também fez um pequeno protesto em forma de provocação à Henry. Geraldine abriu um poster com a foto do jogador em frente ao clube do Barcelona em que são realizados os treinamentos, o banner dizia: Eu, Thierry Henry, peço desculpas à população irlandesa por usar minha mão para expulsá-los da fase final da próxima Copa do Mundo".
Toda essa discussão porém tem sido em vão, uma vez que a FIFA já deixou claro que o jogo não será repetido... mas parece que os irlandeses não vão desistir tão cedo.
