Tatá Aeroplano é uma das cabeças mais bacanas e prolíficas da cena musical paulistana independente. Neste espaço você encontra tudo que habita a alma inquieta do cara, de vídeos de bastidores a relatos sobre sua incomum rotina criativa.
| dom | seg | ter | qua | qui | sex | sab |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||
| 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
| 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 |
| 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 |
| 27 | 28 | 29 | 30 | 31 |
... depois da insólita viagem passando com o Verona velho de guerra por rios, pontes e pastos repletos de cogumelos, finalmente chegamos na bucólica e simpática Trancoso ao entardecer. Eu a Giu preferimos não acampar com o Fê e Má, e saímos a procura de uma pousada pra ficar.
Chegamos no Quadrado e demos de cara com um gringo, perguntamos sobre uma pousada em conta e ele deu a dica do século. Falou sobre a Pousadinha Verde que ficava no quadrado mesmo. Batemos na porta e um doberman velho pulou pela janela, eu dei um passo para trás e a Giu pulou de susto. Duas Hippies atenderam a porta fazendo festa pra gente, nessas saíram mais cinco pequenos cães viralatas. Conversamos e fechamos a diária a R$ 10,00 por cabeça: o preço dos sonhos! Dividimos um quarto, colocamos nossas coisas e saímos pra cair no agito.
As duas hippies estavam bem doidonas e não nos liberaram antes de provarmos um pouco do bolo queimado que elas tinham feito que por incrível que pareça estava bem bom.
A Giu foi pro forró e eu corri pra Praia do Vegetal dançar. Às cinco da matina voltei pra pousada, tentei abrir e a porta que estava trancada, bati de leve e a Doberman pulou a janela, só que agora ela não estava nada amistosa, rosnou como quem tava afim de morder.
Pensei comigo. Me ferrei! Permanenci estático por alguns minutos, relaxei e fui dar um banda pelo quadrado até encontrar a Giu, a Má e o Fê. A noite era de lua cheia e de space cake. Contei pra Giu o ocorrido e voltamos pra tentar entrar na tal pousada. A doberman continuava lá, brava, rosnando. Através da janela vimos que no fundo da sala tinha um porta aberta com a luz acesa, começamos a jogar pedras na esperança de alguém acordar pra nos salvar.
Jogamos duas pedras, e um das hippies despontou, ela nos viu e veio correndo abrir a porta. - "Meus lindos! A gente esqueceu que vocês estavam hospedados aqui e trancamos a porta, entrem, não liguem pros cachorros que eles já estão se acostumando com vocês.".
Detalhe. Essa pousada não tinha placa, letreiro ou algo que a identificasse como tal, fomos informados sobre ela pelo gringo e constatamos que durante toda nossa estada por lá, não teve mais ninguém hospedado além da gente e das duas ripongas.
Entramos na pousada e da porta por onde saiu a hippie, avistamos pelos menos meia duzia de caras sentados naqueles puffs orientais, meio que dormindo ... algo estranho estava rolando ali.
No dia seguinte acordamos cedo e fomos pra praia. Quando falamos pro nosso amigo local Giba que estávamos na pousadinha verde, ele imediatamente nos alertou que ali não era pousada e a noite uns gringos iam lá realizar alguns tipos de atos ilícitos.
A princípio ficamos apreensivos, mas depois pensamos bem, as hippies eram muito gente fina, nos empaturravam com comida o tempo todo e não estavam cobrando nossas diárias adiantado, enfim, arriscamos.
Voltamos pra pousadinha no fim da tarde e encontramos cinco membros da Família Neves comendo bolo com as hippies. Rolou um dejavu, parecia nossa casa de Itaúnas, Maura, Priscila, Ana Paula, Flávinha e a Má.
Fui pro quarto tirar um cochilo, abri a porta e dei de cara com os seis cães em cima da minha cama. inacreditável! Eles entraram pela janela que eu esqueci aberta. Confesso que nunca mais abri a tal janela.
Me separei dos Neves e passei dois dias na Rave na praia do Vegetal dançando trance. Retornei e encontrei a Giu que ia ficar mais uns dias em Trancoso. Fui acertar minha estadia com as hippies da pousada que ficou em R$ 60,00, e elas só me cobraram R$ 20,00 eu insisti em pagar o total e elas ficaram bravas. - "Menino lindo, é R$ 20,00 e fim de papo. Olhe, leva esse bolo pra viagem, e não vá sem tomar a vitamina que preparamos para você". Enchi a pança e me despedi das Hippies com dor no coração. Parece inacreditável, mas para vocês terem uma idéia, minha amiga Giu ficou por lá mais quatro dias e não pagou um centavo. CINEMA NACIONAL!!!!
Encontrei o Fê, a Má e a fita cassete do Zé Ramalho e voltamos para sampa via Rio - Bahia. A festa tinha terminado. Em julho de 2009 voltei pra Trancoso com o Verme, o Kirki, o Fê a Van. Segue em breve.
Viagens Espectaculares - Volume II
Umas das trips mais malucas que eu fiz foi na virada de 98 para 99 com a Família Neves que ficou marcada pelas pedaladas e outros quitutes. De Itaúnas, segui viagem com os Neves para Caraíva.
A ida foi tranquila, chegamos no pequeno povoado tarde da noite. Não conseguimos arrumar uma pousada pra ficar e decidimos acampar, eu e uma amiga não tínhamos barraca e o dono do camping nos emprestou uma. Arrumamos as coias e fomos arriscar a night no forró. Quando retornamos exaustos para descansar, uma chuva torrencial desabou e nossa barraca estava totalmente furada. Passamos o resto da madrugada debaixo de um estábulo.
Quando o sol apareceu ficou impossível ficar no tal estábulo e tivemos que vagar pela cidade, tomamos café e caímos pra praia, mas a fadiga era tanta, de tantas noitadas acumuladas dos Neves em Itaúnas, que estávamos todos quebrados, totalmentes zumbis. Nessas rolou o primeiro racha da Família Neves, uma parte queria continuar em Caraíva e outra parte queria seguir pra Trancoso.
Eu estava afim de partir porque estava rolando um rave por lá, e segui junto com o Fê, a Má e a Giu rumo aos ruídos eletrônicos que ecoavam na Praia do Vegetal.
O Fê estava dirigindo o Verona da Má, eles conheciam um caminho alternativo que ia por dentro, passando por umas fazendas e tals. Depois de um tempo, a estrada foi ficando cada vez mais rústica e se transformou num pasto. Seguimos com o carro firme e forte até chegar no primeiro riacho sem ponte. O Fê respirou fundo e passamos ilesos, a estrada continou totalmente de pasto. Eu e a Giu começamos a questionar o caminho e logo demos de cara com outro rio, esse mais largo e fundo. O Fê titubiou mas pisou fundo, paramos no meio e o carro morreu. Pensamos que era o fim da viagem, mas milagrosamente ele deu a partida e saímos do tal rio que ficou com um singelo farol de milha do carango.
Os ânimos exautaram. Rolou um desentendimento geral, mas no fim decidimos continuar por aquele pasto depois que vacas foram avistadas. Cogus foram colhidos e como num passe de mágica, uma pequena estrada de terra apareceu.
Seguimos nela por um tempo até chegar numa ponte estreita de madeira. Uma imensa placa dizia : "- proibido passar com automóveis". O Fê quis passar, o carro estava cheio, descarregamos o auto e passamos com as bagagens, fizemos figas e o Fê seguiu pela ponte ileso.
Depois que a adrenalina caiu, perguntei docemente para o casal de amigos: - "Vocês passaram por aqui de carro da outra vez!?", e o Fê me respondeu tranquilamente: "-Não, viemos de bicicleta!". No toca-fitas uma canção do Zé Ramalho gritava. Colocamos as tralhas no porta malas e seguimos para Trancoso. Anoitecia e a verdadeira viagem estava só começando.
Segue em breve.
Nas duas últimas semanas passei minhas tardes e noites acompanhando os filmes da mostra, voltava para casa de madrugada e trabalhava até as cinco da matina. As onze da manhã já estava pronto para mais um dia cheio de fillmes. Vi a película "Maradona" do Emir Kusturica que é um dos meus diretores preditetos rodou “Underground: Mentiras de Guerra” uma obra prima irretocável.
Maradona me deixou pensando até agora, Emir fez um filme político que começa em 2005 e mostra o gênio inquieto fã de Fidel, alinhado com Morales e Chávez. A nova América Latina grita e fala alto e lá está Maradona com todos os seus defeitos e virtudes.
Os Maradonianos casam com bola e casam apaixonados pelo ídolo. A igreja Maradoniana é um misto de ritual católico com talk show erótico onde o venerado é dieguito numa cerimônia no melhor estilo Kusturica. O gol de mão contra a Inglaterra é abençoado e o gol de placa feito no mesmo jogo é considerado pelo diretor o maior de todos os tempos, um gol político goela abaixo dos ingleses. o troco pelas Malvinas no fundo no fundo no fundo das redes.
Maradona descaca a lenha contra o Bush, contra o Havelange, dá uma aula de autenticidade num filme que fala de futebol também, mas o foco principal é outro. Ele fala abertamente sobre o lance dele com a cocaína, mas na entrelinhas deixa no ar que foi um dos únicos pego para Cristo com os doppings que o atingiram durante a carreira. Perseguição.
Juntos no palanque Diego, Morales, Chávez e Kusturica. O filme no fundo mostra a nova cara da americana latina e sua nova disposição política pro bem de uns e desespero de outros.
As palavras fogem e os sons chegam a todo momento. Sugar. Killing Moon. Shy Moon. Algumas letras chegam ... outras me deixam louco. Preciso dizer o que exatamente se passa pela cabeça mas nosso alfabeto não colabora, penso em outras línguas, em novos caracteres que possam comunicar e só a música consegue me explicar tudo sem dizer uma só palavra.
Pego mais uma cerveja. Completo a bateria do computador e vôo para a poltrona. Dois bons goles me trazem o fio da meada perdido, não que o drink seja responsável pela lembrança, mas só o fato de você desocupar a mente por segundos ajuda muito.
Na vitrola Roy Orbison e boas lembranças. Sozinho no carro ... alta noite ... e me recordo do domingo encantado e me recordo de Sunday Morning e Femme Fatale. Som alto na sala. No quarto silêncio. Cigarro aceso. Bons Sonhos.
Aviões de papel na quadra da escola. Voar é preciso. Roy Orbison sai de cena. Entra Roy Orbison de novo. Nada muda. Tudo permanece intacto na minha mente ... somente na minha mente ... o resto é um deus nos acuda.
Na rua uma senhora canta em uma língua esquisita. Um rapaz chega para dar esmola e é tocado para dentro de casa: - "Não sou mendiga, SUMA DAQUI!". Comunication Breakdown.
Ride Away, agora vou torcer pra noite ser eterna até as cinco da manhã. Meu pássaro de estimação que deve viver na Praça Buenos Aires começa a cantar as três, tenho vontade de descobrir a espécie do bichano, já que faz pouco tempo que ele começou a cantar no bairro, é muito alto mesmo e todo rebuscado. Ah, quase 100% de chance dele ser refugiado de uma mata qualquer.
Na parede pregos. No chão marcas que não voltam mais. Na cabeça o bang bang do amor. Piano. Piano.
Mais uma cerveja, a derradeira. Já é hora de deixar o saudosismo de lado e voltar pra leitura e dispensar o locador momentâneo deste corpo que vos escreve em caixa baixa e o som bem alto. A campainha tocou, com certeza é o zelador. Vou lá receber minha bronca da semana.
Amigos!!!
Hoje venho por meio desta dar um toque aos amigos que tem banda sobre o Cena Independente 2009 que tem como objetivo localizar, identificar e difundir o trabalho de bandas e grupos musicais emergentes do cenário musical independente do Estado de São Paulo.
Podem participar bandas da cena independente que nunca gravaram um CD ou aquelas que têm até um CD distribuído comercialmente. As inscrições serão feitas no site da Secretaria de Cultura (www.cultura.sp.gov.br).
No ano passado o Cena Musical selecionou dez grupos em cada edição regional e os vencedores tiveram a inclusão de uma música de sua autoria em um dos quatro CDs de coletânea gravados ao vivo e distribuídos em bibliotecas, centros culturais, emissoras de rádio, sites de música e entre os próprios grupos vencedores. O programa foi realizado nas cidades de Araçatuba, Bauru, Piracicaba e São Sebastião. Alguns amigos participaram do Cena ano passado, entre eles: Berlam Belozo, Multiplex, Paris Le Rock, Renato Godá, entre outros.
As inscrições para o Cena Musical Independente – II Mostra Paulista de Bandas Jovens 2009, podem ser feitas até o dia 02 de Outubro (Sexta - feira). O programa, lançado em 2008 pela Secretaria de Estado da Cultura, chega à segunda edição neste ano.
Escolhidos por uma comissão julgadora, os dez grupos vencedores receberão R$ 5 mil cada e ainda terão uma música de sua autoria registrada em CD coletânea, para distribuição em bibliotecas, centros culturais, emissoras de rádio, sites de música e entre os próprios grupos vencedores. Além disso, as bandas selecionadas participarão de um festival, nos dias 5 e 6 de dezembro, no Memorial da América Latina.
As inscrições estão abertas a bandas ou grupos que ainda não tenham seu trabalho distribuído comercialmente por selos ou gravadoras ou que gravaram apenas um CD. As inscrições podem ser feitas no hotsite do Cena Musical até dia 2 de outubro.
http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/cenamusical2009/index.html
