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Toda Ouvidos é o blog de Angela Joenck Pinto, jornalista gaúcha de ótimo gosto musical, disposição para viajar e fã de Monty Python. É amiga de pessoas esquisitas e conhece lugares bizarros. Mais informações abaixo:

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O vôo solo de Stevie Jackson - Parte II – Ao vivo no Imperial Pub

22/06/2009 - 08:37 | 511 visitas

Leia também: O vôo solo de Stevie Jackson - Parte I: Entrevista

Enquanto os namorados do Brasil preparavam seus cartões e presentes nas primeiras horas do dia 12/6, Stevie Jackson subia – à luz de velas - no palco do minúsculo Imperial Pub, em Toronto, armado com um violão e uma longneck. Era chegada a hora de saber se as tais músicas solo vingariam com o público do exterior.

Não que ele tivesse que enfrentar alguma dificuldade para ganhar a simpatia da platéia. Organizado informalmente, o evento foi postado no Facebook com poucos dias de antecedência e teve cerca de 200 confirmações. Destas, apenas 40 se concretizaram por completa falta de espaço dentro do bar. O número de músicos amigos de Jackson que estavam lá para acompanhá-lo em parte do show (7 pessoas ao todo), contribuiu para o acotovelamento geral. Nenhum deles tinha se apresentado junto antes. O que iria sair dali, ninguém sabia.

“Nem sei o que tocar...Vocês já beberam bastante? Quem sabe cantam uma comigo depois?”, diz o guitarrista, enquanto o operador da mesa de som tenta abaixar o volume de I’m sure to Fall, de Carl Perkins, que toca ao fundo.

A história de um sonho em que John Huston dá conselhos amorosos a Jackson abre a apresentação. Just so to the point  fala das 5 esposas do diretor de Falcão Maltês, descritas como “duas loiras, uma morena, uma ruiva e um crocodilo”. Ele emenda com Kurosawa, que remete a imagens capturadas por Yasujiro Ozu. Mas só pra complicar, melodia e vocal são executados no estilo Johnny Cash. 

Stevie Jackson ao vivo no Imperial Pub

Bird’s Eye View, talvez a mais profunda do repertório, fala da demolição dos edifícios de fachada ‘futurista’ construídos pelo governo escocês para abrigar famílias nos anos 70.  A musica fez parte de uma instalação artística comemorando o fim destes espaços, mas a melancolia característica de Jackson reflete que, o que hoje está em pedaços, já foi o início do sonho de alguém. ‘Acho que ninguém nunca pensou ‘vou projetar um prédio fodido’, né?’, explica.

Hiding ‘Neath My Umbrella é a única composição de Stevie a integrar o novo projeto de Stuart Murdoch, God Help the Girl (uma espécie de esforço phil-spectoriano do vocalista do B&S), que chega às lojas do Reino Unido em 22/6. A música ganha ao vivo um arranjo folk que foge da versão do disco, mas a propaganda pro parceiro de banda já estava feita. Era hora de chamar os amigos canadenses para dar aquela forcinha no show: Owen Pallett (Final Fantasy), a banda Betty Burke (membros do The Hidden Cameras e Holly Andruchuk) e Sheila Sampath, do CN Power e dos Airfields tomam seus lugares, avisados por Jackson que serão obrigados a fazer o “agradecimento Beatle” no fim do show, desafiando o ar cool dos hipsters. 

Antes de continuar, ele lança uma trivia do mundo pop: quem disse a frase “Does anybody have school tomorrow?” A platéia fracassa em responder o que seria a dica perfeita para a próxima canção – Lorries are Splendiferous - totalmente Velvet Underground. Uma declaração de amor ao pai caminhoneiro de Jackson, que deixaria Lou Reed emocionado (ou bastante irritado…é difícil ter certeza…).

Stevie Jackson ao vivo no Imperial Pub

As homenagens continuam com Where Have All the Good Girls Gone?, composta a partir de sessões de filmes de Serge Gainsburg, Brigitte Bardot e Charlotte Rampling. Séria candidata a hit, com refrão grudento, daqueles que pegam a criatura batendo palmas sem querer. Francês e inglês se confundem até o início da próxima música, Press Send, que revela toda a insegurança e timidez de Stevie. A canção resgata na letra um dilema comum da era da internet: mandar ou não uma resposta por email para aquela pessoa especial. Será que alguma palavra mal colocada vai acabar com a amizade? É melhor guardar os sentimentos para sí? A conclusão é que o botão de enviar causaria muitos problemas, e é deixado para trás em Try Me e My Dad was a Mod in the RAF, que encerraram a apresentação em clima retro sessentista.

 

 

Para o bis, o público inquieto que pedia canções como Space boy Dream levou um equivalente mais melódico e muito mais parecido com o próprio Stevie – Rocket Man, de Elton John, em uma execução espontânea e inspirada, com Owen Pallet ao piano.

Era o fim de noite para quem tinha escola no dia seguinte e um belo início de dia dos namorados brasileiro para o resto, ainda que poucos ali soubessem disso.

 

por Angela Joenck Pinto // 22/06/2009 - 08:37

O vôo solo de Stevie Jackson - Parte I

22/06/2009 - 08:24 | 480 visitas

Todos os gritos, sussuros e acordes do pop

Assim como no filme de Bergman, a espera tem torturado os fãs do guitarrista, que aguardam o tão falado disco solo. Descubra na entrevista abaixo quanto tempo ele ainda vai fazer você esperar.

Veja também: O vôo solo de Stevie Jackson - Parte II - Ao vivo no Imperial Pub (video)

Um lugar onde clássicos absolutos da música dividem espaço com novidades obscuras de qualidade garantida. A qualquer hora, é só fazer o pedido e a sua preferida toca em alto e bom som. Poderia ser a descrição da mehor rádio do mundo….mas é só a cabeça de Stevie Jackson. 
Ele ouviu toda a boa música popular feita no século XX, memorizou cada nota e sílaba e deglutiu em canções que serão lançadas no seu disco solo. “Falta mixar, que é a parte mais chata”, diz o guitarrista, atirado em um sofá no West End de Glasgow, após um dia de ensaios com os Vaselines, banda na qual tem participado como músico de apoio.

Desde o ano passado, músicas de Jackson têm alcançado  fama na cena indie brasileira através de videos divulgados na internet. A primeira delas, Try Me, nasceu com potencial de hit: acordes fáceis, bom humor, ritmo bem marcado e um certo espírito britânico pré-69. 
As demais faixas tem inspiração em diretores de cinema (Kurosawa, John Huston), no mundo mod (raro ver o músico se apresentar sem um terno estilizado) e em experiências pessoais mal fadadas com o sexo oposto (uma das músicas faz referência a uma visita que Stevie fez à Paris com uma americana, que nas suas próprias palavras, “terminou em desastre”). 

Parece perfeito para um disco, não? O maior empecilho para que o projeto se torne realidade, porém, parece ser o próprio Jackson.  Dono de uma timidez atroz e absolutamente desprovido de ambição aparente, dizer que ele não está com pressa de lançar o disco seria o minimo. 

Até os colegas do Belle and Sebastian já comentaram sobre a famosa demora de Stevie: “ele tem uma atitude muito  blasé com esse disco!”, disse Mick Cooke em entrevista ao Portal MTV. “Eventualmente vai lança-lo, mas está pegando leve” completou o parceiro de banda.

Quando falo para ele sobre a comunidade do Orkut destinada exclusivamente à sua carreira, o guitarrista ri e duvida da existência do grupo.  Com  a aproximação da entrevista, se encolhe e derruba acidentalmente a xícara de chá que estava prestes a tomar. Antes de começar a falar, faz um último pedido: “sem cameras, por favor”.

Stevie Jackson quer lançar o disco solo no fim deste ano

Toda Ouvidos: Fale um pouco pra nós sobre Try Me, que foi a primeira faixa sua a se tornar conhecida no Brasil. Quando ela foi escrita?
Stevie Jackson:
Ha alguns anos, talvez... Fiz com uns amigos, uns caras com quem faço coisas… Gary Thom e Roy Moller. Somos conhecidos por aí como “The Company” (risos). Nos reunimos para escrever umas músicas e essa surgiu assim. Eu acho que e

u tinha a música meio encaminhada, e eles me ajudaram com alguns versos.

Toda Ouvidos: E essa música é pra ser parte de um disco? 
Stevie Jackson:
Inicialmente era só essa colaboração nossa, que a gente se reune pra escrever e se divertir. Eu estou fazendo um disco neste momento, trabalhando em um disco, ou pelo menos tentando fazer um disco, ver como isso fica…

Toda Ouvidos: Entao você não tem uma data de lançamento já programada ou coisa assim…
Stevie Jackson:
Não. Com sorte, se tudo for bem, eu espero terminar o disco neste verão (europeu) e lança-lo no fim do ano.

Toda Ouvidos: A letra de Try me diz que você “gostaria que fosse 1964”, e muitas das suas músicas tem esse clima retrô. Você queria mesmo voltar aos anos 60?
Stevie Jackson:
Ah, é só uma piada… É como o Radiohead no The Bends, sabe? “I wish it was the sixties, I wish we could be happy, I wish that something would happen…”. É essa noção de se estar de volta aos anos 60, mas eu falei na piada. A minha letra diz “Eu gostaria que fosse 1964, mas eu ainda estou preso em 63”. É quase uma brincadeira infantil com as palavras. 

Toda Ouvidos: entendi.
Stevie Jackson:
é piada.
Toda ouvidos: Tá bom! (risos)
Stevie Jackson:
Eu particularmente nao quero voltar a 1964. Apesar de achar que, quando eu era mais novo, eu queria muito. Mas eu gosto de agora. O presente está bom pra mim.

Toda ouvidos: Outra música sua que tem uma versao solo na internet é To Be Myself Completely
Stevie Jackson:
Ah sim.
Toda ouvidos: A mesma música, gravada pelo Belle e por você, sozinho, tem uma cara completamente diferente. Com a banda, parece quase algo do catálogo dos Monkees, com pandeiro, etc, enquanto a versão solo parece que um John Lennon de 66 escreveu algo pra o Bob Dylan cantar.
Stevie Jackson:
nossa, então tá! Obrigado. Eu nem toquei muito essa música sozinho. Eu estava em NY para esse show bastante específico, que ERA uma homenagem a Bob Dylan, e eu perguntei pra alguém se me conseguiria um show pequeno, de abertura, pra que eu pudesse fazer um set acustico. O único motivo que eu toquei é porque me pediram a música…e eu imaginei que seria bom tocar alguma coisa que o público conhecesse, até porque o resto das coisas que eu apresentei ninguém nunca tinha ouvido! (risos). Eu acho que, quando eu toco To Be Myself Completely sozinho, é mais no estilo que eu escrevi originalmente, ou o jeito que eu via que a música devia ser. Quando o grupo toca, é meio…soul…sei lá…O Chris (Geddes) bolou aquele pianinho no início (imita o piano). Quase Motown esse piano…Então a gravação foi pra esse lado. Ficou bom…

Toda Ouvidos: Mas sao arranjos tão diferentes que parece nem ser a mesma música. Quando você escreve, como faz pra julgar o que é material do Belle and Sebastian e o que é material solo?
Stevie Jackson:
Isso nunca foi um problema, porque eu nunca tive uma carreira solo antes! Nunca, nunquinha mesmo…
Toda ouvidos: mas agora vai ter uma…
Stevie Jackson:
O único motivo pelo qual eu estou fazendo um disco solo é porque o Belle and Sebastian não está fazendo nada neste momento. E pela primeira vez na vida eu tinha algumas músicas sobrando. Eu nunca escrevi nada pensando “vou lançar um album…ou um LP”. (risos). Todas foram escritas para o Belle and Sebastian. Normalmente tinha umas três e as melhores ficavam no disco. Talvez se eu tivesse experimentado algum tipo de carreira solo em algum ponto da minha vida, eu teria me feito essa pergunta. Mas não…E nos ultimos discos, a gente tem pegado músicas um do outro e cantado por cima, então está ficando menos óbvio quem escreve o que. Claro que a grande maioria é do Stuart (Murdoch), mas no nosso ultimo LP, ele pegou nossas melodias e fez algumas letras, cantou algumas também.

Toda ouvidos: Ao mesmo tempo em que o Belle and Sebastian não está fazendo nada, você está tocando bastante com os Vaselines. O Eugene (Kelly) estava me dizendo que vocês entraram no estúdio para gravar algumas faixas.
Stevie Jackson:
gravamos duas
Toda ouvidos: E aí? Você já é oficialmente um membro dos Vaselines?
Stevie Jackson:
não. 
Toda ouvidos: explique-se…
Stevie Jackson:
só existem dois Vaselines.
Toda ouvidos: você entendeu o que eu quis dizer…
Stevie Jackson:
é como trabalho de estúdio. E é muito bacana, mas a gente não tem reuniões ou discussões sobre a banda. Eu, o Bob e o Michael, dos 1990s, estamos dando uma força pra eles. É que a gente sabe as músicas, então eles nos ligam e perguntam “tá a fim de pegar um trabalho?”. Eles nos pagam e tal…então eu diria que é como ser músico contratado. É claro que eles são nossos amigos, então é o melhor tipo de ‘contrato’ possível. Mas eu não me considero parte dos Vaselines, nem membro da banda, nem nada…Só estamos dando uma força.

Toda ouvidos: Você também já trabalhou com Bill Wells
Stevie Jackson:
Ah sim, já toquei muito com ele.
Toda ouvidos: Glasgow tem essa coisa, todo mundo se ajuda e toca com todo mundo. 
Stevie Jackson:
sim
Toda ouvidos: Você acha que isso colaborou para manter a cidade como força criativa nesses últimos 25 anos?
Stevie Jackson:
pra mim é dificil dizer, porque eu nunca morei em outro lugar, então não tenho nem como comparar. Tem sempre alguns lugares chave onde se tem muitos grupos (risos). E acho que é natural as pessoas se conhecerem e se ajudarem. Se bem que com o Bill é diferente, eu toquei com ele em uma banda, o Bill Wells Trio. Eu estava no grupo. E ele tem tocado nas minhas gravações, nas coisas que eu tenho feito esse ano…Então é bom poder ligar pras pessoas e simplesmente convida-las. E algumas pessoas que eu toco normalmente estão me ajudando, como o Bob (Kildea). O Richard, o nosso baterista, está tocando com o Snow Patrol, então estou pegando bateristas diferentes o tempo todo. Tem a Katrina, dos Pastels, Alex Nielson, que é famoso na cena folk avant-garde..e o Bill Wells no baixo! Então sim! Tem sido ótimo.

Toda Ouvidos: Você disse que nunca morou em nenhum outro lugar.  Mas a pressão para se mudar para Londres deve ser grande entre as bandas, não? Certos acadêmicos do curso de estudos em música popular aqui na universidade de Glasgow dizem que a decisão de se permanecer na cidade é quase como assumir uma publicamente uma posição política.
Stevie Jackson:
nunca sequer foi questão de debate conosco. Acho que isso é mais importante pra as bandas que estão tentando ‘dar certo’, se é que você me entende….
A gente teve muita sorte. Se juntou, gravou um disco e despertou interesse imediatamente, então não parecia ter motivo nenhum pra gente ir pra Londres. Eu sei que outras bandas fizeram isso, mas nessa era da ‘tecnologia da informação’ (risos), eu não vejo porque você deveria fazer isso ou até mesmo querer fazer isso. O mundo hoje em dia é um lugar muito menor, de qualquer forma.

Toda Ouvidos:  mudando de assunto completamente, quando você  foi pro Brasil, cantou algumas músicas em português…
Stevie Jackson:
(risos) Eu TENTEI cantar uma.

Toda Ouvidos: ok, a banda, então…
Stevie Jackson:
ah sim, a banda sim. A Sarah (Martin) cantou uma e foi muito mais bem sucedida. Cantou Baby, da Gal Costa. E eu tentei Minha Menina, dos Mutantes. Acho que o português dela é bem melhor que o meu.
Toda Ouvidos: É, a versao dos Mutantes na realidade já é um cover. A música é do Jorge Ben.
Stevie Jackson:
ah, pois é…foi ele que escreveu. Mas a versão dos Mutantes era o que a gente tinha pra copiar. E eu pensando que a gente estava sendo esperto… (risos)

Toda ouvidos: Mas você gosta de musica brasileira?
Stevie Jackson:
Eu não tenho lá um grande conhecimento de música brasileira. Eu amo algumas músicas do Jobim. Gosto de algumas coisas da Gal Costa.

Toda ouvidos: Provavelmente não se lembra de nada de português então! (risos)
Stevie Jackson:
Absolutamente nada. E eu aprendi fonéticamente, então só tentei memorizar como as sílabas soavam. E falava tudo errado, ninguém entendia nada do que eu cantava. Mas eu tentei…
Toda ouvidos: Vocês tentaram duas vezes, uma no Rio e uma em São Paulo. Acho que a segunda vez tiveram mais sucesso, já estavam mais treinados (risos)
Stevie Jackson:
Sim, só pela diversão mesmo…

Toda ouvidos: E o que achou do país no geral?
Stevie Jackson:
os shows foram fantásticos. isso foi em 2001, e há anos não vamos para o Brasil. Mas acho que, em se tratando de “aventuras” como banda, aquela foi a maior. E também foi a nossa maior surpresa, porque eu nem sabia que os nossos discos eram lançados no Brasil. Eu não conseguia acreditar que alguém conhecia a gente lá. E fizemos dois shows, cada um com 4 mil pessoas, onde parecia que todo mundo sabia todas as letras, então foi fantástico. Acho que o temperamento dos brasileiros, felizes e festeiros o tempo todo, nos alegrou muito. Não estamos acostumados com isso por aqui. Na realidade, foi assombroso. Realmente impressionante.

Toda ouvidos: toda essa atenção que o Belle and Sebastian recebe no Brasil resultou em algumas perguntas banstante bizarras pra você. Tenho uma lista delas aqui, mas não precisa responder se não quiser…
Stevie Jackson:
Tá tentando me assustar?

Toda ouvidos: não, é só que o following da banda parece ser extremamente dedicado e os fãs são capazes de perguntas muito específicas. Afinal, não é comum ter pessoas debatendo uma carreira solo que oficialmente nem existe ainda…
Stevie Jackson:
Como assim?

Toda ouvidos: Lá no Brasil a gente usa muito o Orkut, que é quase como o Facebook, e lá você tem uma comunidade só pra debater o seu trabalho, sabia?
Stevie Jackson:
Minha “comunidade”? haha. 

Toda ouvidos: essas perguntas não são da comunidade, mas foram enviadas por alguns dos seus fãs. Olha só essas:
No clipe de Johnathan David tem um single tocando em uma vitrola. O selo parece ser da Decca. Você sabe que disco era aquele?
Stevie Jackson:
Não consigo lembrar. Na época eu devia saber. Desculpe.

Toda Ouvidos: no clipe de The Wrong Girl, você está sendo chutado pelos seus colegas de escola. Isso realmente aconteceu?
Stevie Jackson:
Na realidade, nesse clipe eu apareço sendo chutado por 3 meninas! Erm….então não. Aquilo era um exagero, uma dramatização. Eu nunca fui chutado por 3 meninas. É que parecia mais engraçado esse cara grandalhão que eu sou apanhando delas. Mas no primário eu apanhava. No segundo grau não. Foi meio que uma licença dramática.

Toda ouvidos: não tem problema confessar que apanhava no colegio, Stevie. Eu também passei por isso….pode abrir o coração… 
Stevie Jackson:
Aha…viu só?

Toda ouvidos: Qual é o seu Top 5 no momento?
Stevie Jackson:
Oh, na verdade eu acabei de comprar uma pilha de discos. Tem uma música dos Yeah Yeah Yeahs chamada Zero que é legal… Eu gosto de Honey Hush, de Johnny Burnette, mas essa música é de 1957… (risos). Faz um contraste bom com o resto. Mas deixa eu pensar…
Ah sim, o LP novo dos 1990s está bem bom. French Navy, do Camera Obscura, é legal. E completo a lista com T.B Sheets, do Van Morrison. Tenho tocado esse demais, por alguma razão. Eu sempre gostei dele, mas agora estou ficando meio obcecado. Está ficando chato até.

Toda ouvidos: Qual foi a verdadeira razão para não ter conhecido Seymour Stein? (Nota: Jackson escreveu uma canção sobre ter perdido a oportunidade de falar com o executivo fundador da gravadora Sire e vice-presidente da Warner. A faixa está no disco The Boy with the Arab Strap e no filme Alta Fidelidade)
Stevie Jackson:
Eu estava trabalhando. Eu lavava pratos num restaurante e não consegui trocar de horário. É a verdadeira razão e está na letra da música. E eu tenho lembrança disso! Eles estavam em um restaurante indiano a uma rua de distância daqui, acho até que foi demolido…E o lugar que eu trabalhava se chamava Bar Miró, e era bem perto. Acho que agora se chama outra coisa, porque isso faz 13 anos. Num ponto do jantar, o Stuart e o Chris vieram me visitar! E eu lá, lavando pratos. Aí perguntei como é que a reunião estava, eles disseram que estava indo bem…E essa é a minha lembrança do assunto.

Toda ouvidos: se tivesse que escolher um disco solo de cada um dos Beatles, quais escolheria?
Stevie Jackson:
Vejamos…do Paul, seria o RAM. Do George, All Things Must Pass. John seria o Sometime in NYC e o Ringo é o Ringo mesmo…

Toda Ouvidos: Os Stones: com ou sem Brian Jones?
Stevie Jackson:
Os dois. (risos). Deixa eu ver…Acho que artisticamente, o melhor período foi com Mick Taylor, mas como eu gosto mais das coisas bem antigas deles, eu diria COM Brian Jones. Eu sou um cara bem Brian Jones.

Toda Ouvidos: É verdade que você pagou uma bebida para Ron Wood? Quando foi isso? Posso lhe pagar um drink também?
Stevie Jackson:
Certamente! Não é que eu tenha pagado uma bebida pra ele, eu DEI uma bebida pra ele. Foi numa entrega do prêmio Ivor Novello, a gente tinha uma música concorrendo, que se chamava “Step into my Office”, eu acho. Então isso devia ser 2004. E Ron também estava concorrendo, entao todo mundo estava circulando pelas mesas antes de começar. E normalmente, a organização dá um drink pra todo mundo. Só que depois que a cerimônia começou, as bebidas saíram de circulação. E eu estava morrendo de vontade de beber, e ter que ficar aturando a cerimônia sem bebidas…Aí alguém na nossa mesa conseguiu uma garrafa de champagne do nada e eu tive essa idéia. “Agora posso ir la oferecer uma bebida pro Ronnie! É a minha chance!” Enchi um copo de champagne e fui lá entregar pra ele. E, na boa, eu acho que ele tinha meia garrafa de destilado no bolso do casaco. Já estava muito bebado. Aí eu disse algo como “there you go” e ele me olhou atravessado, e largou um “thanks very much” (imita voz de Ron Wood). Eu vi que ele não estava falando direito mais, e me dei conta que não poderia ter um diálogo. Aí desisti. Só falei “prazer em conhece-lo” e saí de perto. Mas foi um grande momento pra mim porque falei com ele, e ele é um dos Stones, e eu sou obcecado pelos Stones.

Toda ouvidos: Você é obcecado mesmo?
Stevie Jackson:
Pelo que? Pelos Stones? Sim, sou muito. 

Toda ouvidos: Alguma outra banda que você é obcecado?
Stevie Jackson:
Não, só os Stones (risos). Eu diria que eles são a minha maior obsessão. Tem muita coisa que eu cresci ouvindo, tipo Beatles e Dylan…música pop em geral. Mas posso afirmar que os Stones são numero 1 no quesito obsessão.

Toda ouvidos: E se pudesse dar um drink pra algum dos Beatles, quem escolheria?
Stevie Jackson:
Ah, Paul McCartney…
Toda ouvidos: Mesmo?
Stevie Jackson:
com certeza
Toda ouvidos: Ele bebe bem, posso te garantir isso.
Stevie Jackson:
Que bom! É, eu sei. Acho que com o Paul seria legal. Mas eu não estou muito preocupado em conhecer meus ídolos. Eu gostaria de conhecer o Elton (John). Eu sou muito fã dele, sempre fui, desde pequeno.

Toda ouvidos: Elton é legal, mas não sei se eu iria ver ele ao vivo, porque acho que ele nunca cantaria as músicas do meu disco favorito num show, então…
Stevie Jackson:
e qual seria o disco?
Toda ouvidos: Tumbleweed Connection…
Stevie Jackson:
Grande disco! Olha, acho que ele ainda toca Burn Down the Mission.
Toda ouvidos: Sério?
Stevie Jackson:
É…e esse disco está repleto de ótimas músicas. Seria legal ve-lo cantar algumas. E enquanto estamos nesse assunto, quero dizer o seguinte: eu nunca tive inveja profissional de nenhuma banda, exceto do Franz Ferdinand, justamente porque conheceram o Elton. Eu não tenho inveja do sucesso do Franz Ferndinand, ou das vendas, ou da fama, ou de todo o dinheiro que eles ganham. Eu não dou a minima pra isso. Eu sou amigo deles, conheço eles e tudo…Mas fico muito cheio de inveja quando vejo eles andando com o Elton. Muito cheio de inveja mesmo. Parece que o Elton é um grande fã do Franz.

Toda ouvidos: Cidade preferida no mundo?
Stevie Jackson:
Nova York. 
Toda ouvidos:  Por que?
Stevie Jackson:
Porque é a melhor cidade do mundo. É a melhor que eu já visitei, pelo menos. Já estive lá infinitas vezes, e todas as vezes eu fico animado.
Mas pra ser honesto, acho que seria Glasgow primeiro. Eu sou bem apaixonado por Glasgow. Eu amo Glasgow. Mas Nova Iorque é aquela coisa de eu sempre ter sonhado em ir e eu não fiquei desapontado. É uma cidade que nunca me decepcionou. Deve ter alguma coisa a ver com os prédios altos. Eu me sinto em casa lá.

Veja também: O vôo solo de Stevie Jackson - Parte II - Ao vivo no Imperial Pub (video)

por Angela Joenck Pinto // 22/06/2009 - 08:24

Vaselines: músicas inéditas e o ensaio da volta

20/06/2009 - 04:10 | 572 visitas

“Querem a receita do nosso sucesso? Gravem umas músicas, fiquem sem se falar por 20 anos e depois façam uma tour de ‘volta’!”, diz Frances McKee às gargalhadas em frente ao Music Hall of Williamsburg, enquanto espera o taxi que vai levá-la de volta ao hotel para descansar antes do show.

O carro está demorando e os fãs já começam a fazer fila na frente da casa, que está com ingressos esgotados. Ela tenta voltar para os bastidores para pedir ajuda e pedir outro carro, mas não consegue entrar.

“De todas as pessoas do mundo, logo você não consegue entrar, Frances?”, grita um fã que nem era nascido quando a banda lançou seus primeiros singles. Ela leva na esportiva e faz amizade com o rapaz, até que finalmente o taxi chega, quase uma hora depois.

O incidente parece refletir um pouco da história da própria banda. O timing nunca foi correto. Com arranjos simples demais para as superproduções dos anos 80 e temas muito mais adultos do que a os da concorrência na época, o grupo acabou na mesma semana em que o seu primeiro LP, Dum-Dum, foi lançado pela Rough Trade.

 

Frances McKee - 18/5/2009

Agora, o selo Sub Pop relança todo o material da banda em “Enter the Vaselines”, disponível em CD duplo ou vinil triplo. As 19 faixas originais, além  de demos de músicas como “Son of a Gun” e dois shows registrados no fim da década de 80 estão lá. Se isso não era o suficiente para deixar os fãs felizes, um disse-me-disse pelas ruas de Glasgow avisa que os Vaselines não só tem novas canções na manga, como já entraram no estúdio para gravá-las, com a ajuda de músicos do calibre de Bob Kildea e Stevie Jackson, do Belle and Sebastian, e Michael McGaughrin, dos 1990s.

Preparando a volta?

Encontro Eugene Kelly na Mono, casa que serve de restaurante/bar/palco e loja de discos independentes. Ele se preparava para sair com os Vaselines em uma tour pela América, com nove shows em dez dias. Cumprimenta parceiros da cena indie pelo bar e senta em uma mesa longe da porta. Está quase monossilábico. Pergunto se a gravação das novas faixas oficializa a volta da banda.

- “Não”.

- Vocês tem planos de lançar essas canções em algum momento?

- “Ainda não. Estamos vendo o que vai acontecer”.

- Alguém me falou que uma das faixas é a melhor da carreira de vocês até hoje.

- “Ah, isso eu não sei dizer”

Despretensioso para alguém que foi imortalizado como sendo o compositor preferido de Kurt Cobain. Mas se o caso era insegurança, ela sem dúvida seria domada nos próximos 10 dias, quando as músicas fossem tocadas em frente a diferentes platéias nos EUA e no Canadá.

Na estrada, Eugene manteve os fãs atualizados pelo Twitter enquanto a expectative crescia para as últimas duas noites, em NY. Era possível acompanhar desde as decisões sobre roupas de palco até atividades de recreação do grupo nos hotéis.

 

 

 

Receptividade espetacularVaselines - 18/5/2009

Quando reencontro a banda para conferir o fim da tour, a confiança está em alta. As canções foram aprovadas e a receptividade do público, nas palavras de Frances McKee, “foi espetacular”.

Repito a pergunta de antes:

- “E aí? Vão voltar?”

- “Não sabemos. Vamos ver o que vai acontecer…”

Eugene vai correndo postar que o show final, em Williamsburg, foi o melhor da carreira da banda. O grupo acaba a noite em um clube de burlesco no sul de Manhattan, onde músicos comemoram o fim da estafante maratona de apresentações em meio a abraços e muita bebida. Um fã espera na saída e dispara: “Quando você dá o melhor show da sua carreira depois de 20 anos, é porque está na hora de voltar!”.

Então mesmo com todas as dúvidas dos Vaselines, parece que o público já tomou uma decisão por eles. Como eu disse lá em cima, timing nunca foi o forte da banda. Por isso, fique no aguardo das novas canções. Elas chegarão a você mais cedo ou mais tarde. 

Siga os Vaselines no Twitter:
http://twitter.com/the_vaselines

 

por Angela Joenck Pinto // 20/06/2009 - 04:10

Toda Ouvidos: Fiquei trancada na cozinha de um rock star

11/05/2009 - 12:52 | 733 visitas

A cidade de Liverpool proporciona momentos emocionantes para milhares de pessoas anualmente. Eu que o diga, já fui 4 vezes.  E não é difícil andar por lá. Pra quem vai atrás dos pontos turísticos dos Beatles, tem certas visitas que não se tem como evitar: tomar uma cerveja no Cavern Club, ir a Penny Lane e Strawberry Fields, e talvez procurar Allan Williams no pub Grapes.  

Dessa vez, decidi não fazer o roteiro de sempre e acabei comprando uma entrada para conhecer o interior das casas de John Lennon e Paul McCartney, hoje transformadas em museus e administradas pelo National Trust, que por incrível que pareça, mantém guias morando nos próprios imóveis. 

Primeiro, é preciso reconhecer o devido pagamento de mico que envolve entrar em qualquer tour dessas. No caso da visita às residências deles, você tem que entrar em um microônibus amarelo-ovo, cruzar a cidade e matar no peito o olhar de desprezo dos locais. 

As casas

Quem consegue ultrapassar o escárnio chega rapidinho à primeira parada, a casa que John Lennon dividiu com seus tios George Smith e Mimi. Para padrões do pós-guerra em Liverpool, eles até que viviam bem. Cozinha, banheiro, sala de estar, saleta de estudos, varanda e três aposentos, onde John sonhava em um dia ser famoso como Elvis Presley. A eventual morte de George Smith fez Mimi apertar o cinto e alugar quartos vagos da casa para estudantes. O dinheiro ajudou a manter Lennon na escola de Arte por algum tempo, onde seu desempenho foi, segundo o simpático guia-residente, desastroso. 

A família McCartney, por sua vez, não podia sequer se dar ao luxo de alugar quartos. Cozinha minúscula, sala diminuta, quartos divididos pelos irmãos Paul e Michael e um aposento para o pai, Jim McCartney, que trancava os filhos na rua se chegassem muito tarde da escola ou aprontassem alguma. Para entrar em casa, então, os rapazes precisavam atravessar um estreito túnel e escalar a tubulação externa até chegar a janela do quarto. Mas a atmosfera não era tão austera quanto na residência de Lennon, e Jim permitia que John e Paul ensaiassem suas canções até tarde da noite. Fotos feitas por Michael nos anos 60 estão espalhadas pelas paredes, mostrando com precisão os cantos da casa onde os Beatles escreviam. Numa delas, é possível inclusive ver qual a música que estava sendo composta no momento do click: I saw her standing there, escrita ao lado da lareira.

O incidente

Até aqui, tudo muito bonito. O morador da casa do John Lennon pediu que deixássemos um recado no livro de visitas e disse que “Yoko freqüentemente lê os comentários”. Declinei e agradeci.

Mas na casa do Paul, o National Trust botou um cara metido a engraçadinho e de elevado fator Joselítico. Começou alegando que era comum turistas americanas beijarem o chão da sua cozinha, que tem piso original e que foi devidamente atravessado pela realeza do rock milhares de vezes. Quando ele me perguntou se eu preferia Lennon ou McCartney, respondi que tenho uma tatuagem dos Wings nas costas, o que esclarece minha preferência de forma bastante clara.

Sem mais nem menos, o dito me trancou dentro da cozinha dizendo que eu ‘podia ficar a vontade pra fazer o que achasse preciso’, o que abre ampla margem para supostas atividades privadas e é um comentário doente até pra fãs como eu.

Guia é parente do Joselito?
Guia tirou um sarro legal da minha cara. É parente do Joselito?

Pedir na boa para o tal guia me libertar do cativeiro gastronômico não funcionou. Bater educadamente também não. Tive que forçar a porta, que ele segurava do outro lado, até convencê-lo da bizarrice da situação. Ele não se abalou muito e continuou rindo da minha cara até o fim da visita.

Vai visitar Liverpool? Siga as dicas:

1º - Tours - Certifique-se de comprar um ingresso para as casas de John e Paul e tranque esse cara dentro da cozinha. (Cuidado pra não tirar a porta do lugar, hein? É tudo muito velho lá dentro e estragar alguma coisa deve dar multa/cadeia)

2º - Comer barato - Café da manhã inglês completo, com opção vegetariana, por menos de 3 libras nos pubs do centro da cidade até o meio dia. Alguns deles incluem um pint de Guinness nesse preço (isso mesmo, cerveja no café da manhã)

3º - Birinait - Nos anos 60, o Cavern não podia vender álcool, e os Beatles tinham que cruzar a rua até o pub Grapes (Mathew Street) para fazer aquele aquecimento. A mesa deles está marcada com uma foto, e qualquer pessoa pode sentar lá sem pagar nada a mais por isso.

4º - Além da música – Liverpool oferece uma variedade de museus gratuitos e galerias de arte, além de ser o lar da mais antiga colônia chinesa da Europa. A maior catedral anglicana do mundo também está lá. Os principais pontos turísticos estão b em sinalizados e é só seguir as placas. 

5º - Divirta-se – Parando em cada esquina para tirar fotos? Arrastando uma sacola dos Beatles pela cidade, cheia de presentes para a sua mãe? Não precisa ficar com vergonha. Os habitantes de Liverpool estão acostumados e, na sua grande maioria, ficam felizes em ajudar os visitantes. Vista sua camiseta do Rubber Soul a vontade e divirta-se!

 

 

por Angela Joenck Pinto // 11/05/2009 - 12:52

Entrevista: Mick Cooke, o músico BomBril do Belle and Sebastian

04/05/2009 - 13:50 | 726 visitas

Um músico de mil e uma utilidades. Ele escreve trilhas para filmes, animações e televisão. Faz arranjos orquestrais para bandas, é músico de estúdio (e já gravou com  Snow Patrol, The Young Knives, Teenage Fanclub, The Reindeer Section, Isobel Campbell, Idlewild, Malcolm Middleton, My Latest Novel, Mojave 3), é convidado para apresentações  ao vivo com Franz Ferdinand, Mogwai e Camera Obscura, além de ser membro de outras tantas bandas, como o Amphetameanies e o Belle and Sebastian, onde toca trompete, French horn (ou trompa, em bom português), baixo, guitarra, teclado e percussão.

Ah – e só pra constar – ele é formado em farmácia (!).

É mole?

No meio dessa correria toda, Mick Cooke achou um tempo pra tomar um café comigo e mostrar o estudio de ensaio do Belle and Sebastian para a MTV Brasil.

Confira:

Você tem um currículo e tanto, hein? É o cara mais ocupado de Glasgow?
É que a Belle and Sebastian está dando um tempo desde o nosso ultimo show, que foi em 2006. Setembro de 2006, pra ser mais exato, na Irlanda. E então é basicamente tudo que eu tenho feito. Um dos primeiros projetos a pintar foi uma animação para o Channel 4, de um cara que era fã da banda. Eu acho que inicialmente ele queria usar músicas do Belle, mas não tinha dinheiro para pagar os royalties! (risos).  Então ele pediu pra alguém da banda fazer a trilha Sonora e eu peguei o trabalho. Acabei gostando, e isso me levou a outros projetos, como documentários e coisas assim. E eu adorei fazer.

Algum projeto no momento?
Este ano estou fazendo mais uma animação, mais um documentário e mais um filme.

Uma das animações que você contribuiu acabou de ganhar um prêmio, não?
Sim! A animação se chama Happy Duckling, e ganhou um prêmio na Itália, que se chama Cartoons On the Bay.  

Assista: 

Trailer de Happy Duckling, animação dirigida por Gili Dolev e com trilha sonora de Mick Cooke

E as orquestrações, como começaram?
A gente sempre usou arranjos para o Belle and Sebastian, usamos muitas orquestras. No começo, quem fazia os arranjos era o Stuart (Murdoch) e eu acabei me envolvendo um pouco. Com o passar do tempo, me envolvi mais e mais. É mais uma daquelas coisas que eu achei tão bacana de fazer…E quando a gente gravou o Dear Catastrophe Waitress com o Trevor Horn (produtor lendário), aquela foi a primeira vez que a gente usou uma orquestra inteira, basicamente porque foi a primeira vez que a gente tinha orçamento pra fazer isso! (risos). E quanto mais você faz, mais aprende sobre os processos, de como a coisa toda funciona.

Aprendeu na prática, então?
Na realidade, eu acho que não era treinado pra isso.. Aprendi a ler musica quando estava na escola. Toquei em orquestras e bandas…Aprendi a tocar trompete quando eu tinha 8 anos e comecei no violao e guitarra com 12. A escola onde eu fazia o primário, em Dundee, tinha uma orquestra sinfônica completa! Então era tipo, crianças de 8 ou 9 anos tocando violino e trompetes! (risos). E isso é uma coisa rara nas escolas daqui, diga-se de passagem. Então entrei orquestra da escola, toquei em uma banda de swing…Tive sorte de entrar numa escola de Segundo grau que também era bem musical. Então acho que é uma coisa que sempre esteve lá no fundo, ouvir diferententes tipos de música o tempo todo.

Eu ouvi dizer que você tocou até numa banda de metal!
É…(risos). Foi a minha primeira ‘banda’, quando eu estava na escola. Devia ter uns 12 anos. Começamos como metal, e se chamava Terra Firma, e  escreviamos músicas sobre assuntos como o Titanic…Mas eu não sou o único da banda a ter um ‘passado de metal’! 

Mesmo?
Sim, o Bob (Kildea) gostava de metal, Chris (Gedes) também. O Stuart também curtia AC/DC e Black Sabbath. Acho que ainda gosta, por sinal.

Ah, todo mundo já foi adolescente um dia, não é?
Sim, mas tipo…as bandas de metal mais vergonhosas a gente superou. (risos) Mas posso garantir que a maioria de nós ainda escuta Led Zeppelin, AC/DC e Black Sabath.

Ainda assim, é um baita salto sair do metal para as orquestras.
Eu sei, eu sei. Ainda bem que eu consegui mais trabalhos com isso, porque gosto tanto. Eu participei deste novo projeto do Stuart, God Help the Girl. E tive tanta sorte de ele ter fé em mim para fazer os arranjos orquestrais do disco. E outras coisas pintaram, na carona do God Help the Girl, porque no estúdio que a gente estava gravando o disco, outras bandas também precisavam de arranjos.  São desafios, e não há nada como bolar um arranjo e ouvir uma orquestra inteira tocar o que você escreveu.

E você toca numa banda de SKA, os Amphetameanies, né?
Sim, acabamos de tocar em Londres, no bairro de Brixton (balada tradicional da capital inglesa). Tocamos pelo menos uma vez por mês. E toco com eles porque me pediram pra entrar mesmo, porque conhecia varios deles e são meus amigos. A gente costumava ter o  Alex Huntley, que agora se chama Alex Kapranos (Franz Ferdinand) nos Amphetameanies. Eu era amigo dele no início da banda, e ele me disse que estavam precisando de alguém para tocar trompete. 

Mick Cooke no estúdio de ensaio do Belle and Sebastian
Mick Cooke no estúdio de ensaio do Belle and Sebastian

E o que está acontecendo com o Belle and Sebastian? 
Stuart tem o God Help the Girl, Stevie está as voltas com o projeto do seu disco solo e acho que ele tem planos de terminar logo. Só que ele é muito blasé sobre este disco! Acho que não tem grandes ambições pra ele…fala coisas do tipo “eu vou graver e talvez lançar”. Esse “talvez lançar” é muito Stevie. Tenho certeza que ele vai lançar, mas ele está bem relax sobre isso.

Você esteve no Brasil em 2001 com a banda. O que achou do país?
Fantástico. A gente ficou muito surpreso com a reação que recebemos e com a quantidade de pessoas que foram lá nos ver. Não achavamos que o nosso show era para tanta gente. Acho que naquele ponto da nossa carreira, nunca tínhamos tocado pra tanta gente.

Foram dois shows, não? Um no Rio e um em São Paulo.
Isso, foi o Free Jazz Festival. E a gente sempre quis voltar. Não tenha dúvida: uma hora dessas a gente vai voltar a tocar no Brasil. Eu fui novamente pra lá depois disso, porque tenho amigos no país.
É até uma história curiosa, porque nessa viagem de 2001, um dos nossos músicos, que tocava violino, conheceu uma menina e acabou casando com ela. Então eu e a minha esposa acabamos indo no casamento deles em São Paulo e aqui na Escócia também.

Alguma coisa em especial que você se lembra desses dois shows?
Tocamos alguns covers (‘Baby’ e ‘Minha Menina’) e cantamos em Português. Não sei se o povo gostou, ou ficou surpreso que a gente fez isso. Também não sei de nos saímos muito bem! (risos)

É difícil cantar em Português! Vocês sabem falar um pouco?
O pai da Sarah (Martin) é professor de línguas e sabe um pouco de português, então ele nos deu algum treino. E ela, depois, foi ensinando para o Stevie e o Stuart. Mas eu acho que eles não se saíram bem de qualquer jeito…(ri alto). Pelo menos eles tentaram…E a gente foi no programa do Jô Soares, que foi uma experiência meio bizarra pra nós. Ele é meio esquisito, né?

Ele toca alguns instrumentos, mas é mais envolvido com jazz…acho que não gosta muito de pop ou rock…
Aaaah, isso explica muita coisa…

Para saber mais sobre o trabalho de Mick Cooke, visite
http://www.toomanycookes.co.uk

 

 

por Angela Joenck Pinto // 04/05/2009 - 13:50
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